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Porto de Mós, Leiria, 13 mar 2026 (Lusa) — A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria manifestou hoje à ministra do Ambiente disponibilidade para integrar um plano de tratamento e recolha de resíduos que resultaram da destruição do mau tempo, situação que preocupa esta entidade.
“Pedimos a [prorrogação da] suspensão da TGR [Taxa de Gestão de Resíduos], achamos que é importante, até porque esta é uma região que tem problemas complexos, e disponibilizámo-nos para fazer parte de um plano de tratamento e recolha de resíduos, nomeadamente os resíduos que resultam desta destruição e que também é uma preocupação em todo o território da região”, afirmou Jorge Vala, em Porto de Mós, onde é presidente do município, após uma reunião da CIM com Maria da Graça Carvalho.
Para Jorge Vala, “é importante que a CIM se envolva num processo destes, de recolha integrada e planeada em conjunto com o Ministério do Ambiente”, para garantir que telhas com amianto e outros resíduos não sejam espalhados no território do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, que abrange também o concelho de Porto de Mós, como está a suceder.
Segundo o autarca, tem havido deposição de resíduos resultantes do mau tempo naquela área protegida.
“Temos cerca de 300 casas afetadas e já nos foi comunicado e denunciámos a deposição de restos de telha, mas, sobretudo, restos de telhas em fibrocimento, com amianto”, declarou.
A TGR é cobrada pelo Estado às entidades gestoras de resíduos que, por sua vez cobram aos municípios e estes fazem repercutir os custos aos cidadãos na fatura da água. O objetivo é incentivar a reciclagem e reutilização, assim como a diminuição de resíduos em aterro.
Na sequência do mau tempo, o Ministério do Ambiente e da Energia suspendeu, por 90 dias, a cobrança desta taxa às entidades gestoras.
Outra das matérias abordadas com a governante prendeu-se com a necessidade de intervenção no rio Lena, assim como nas praias fluviais no norte da Região de Leiria que registaram danos.
Sobre a TGR, a ministra do Ambiente e Energia, que terminou em Porto de Mós uma deslocação que começou no concelho da Marinha Grande e continuou em Leiria, disse ser da opinião que estender a suspensão daquela taxa “não se justifica para todo o país, mas esta região justifica”.
“Eu tive a oportunidade de ver ainda muitos resíduos amontoados pelos sítios em que passei e penso que o que falta para os 90 dias não é suficiente para resolver o problema todo dos resíduos”, admitiu, pelo que vai aceitar a proposta.
A ministra adiantou ter aceitado, de “muito bom grado”, a proposta de um “plano de pontos recolha” de resíduos originados pela destruição na sequência do mau tempo.
Da reunião, Maria da Graça Carvalho leva “a indicação de alguns problemas” que ainda não estavam no radar da tutela, dando o exemplo da recuperação das praias fluviais afetadas e que ainda não tinham sido incluídas nos contratos-programa que estão a ser elaborados.
“A APA vai fazer um programa urgente até ao princípio da época balnear [para as praias litorais] e depois mais estruturante depois da época balnear, mas vamos incluir agora algumas das praias fluviais que ficaram danificadas”, assegurou.
Maria da Graça Carvalho esclareceu, por outro lado, que há um conjunto de contratos-programa para os rios que sofreram com as cheias, como o Mondego, Lis, Tejo ou Sado, mas na reunião foi alertada de que existem outros mais pequenos, mas que também sofreram muito e devem ser considerados, como o Arunca ou o Lena.
Questionada sobre os fenómenos climáticos que têm afetado, recorrentemente, a Região Centro, desde incêndios a tempestades, a governante reconheceu que “se todo o país precisa de ser resiliente”, esta região precisa de ser “exponencialmente resiliente”.
E à pergunta se, a prazo, se equaciona retiradas planeadas de pessoas, a ministra declinou, para explicar que são feitas “retiradas em determinadas circunstâncias”, dando o exemplo recente das cheias em Coimbra.
A este propósito, notou que o “respeito pela forma de viver das pessoas, o estar habituado a viver numa determinada forma, numa determinada região, é também muito importante”, pelo que essa componente social tem de se tentar “respeitar o máximo possível”.
A CIM integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós, no distrito de Leiria.













