“Sugiro uma medida que me parece fazer sentido: o pagamento de metade dos subsídios de férias e de Natal de todos os trabalhadores em funções públicas em ‘Certificados de Aforro Solidários Covid-19’”, quem o afirma é Paulo trigo Pereira, economista, ex-deputado do Partido Socialista.
Para enquadrar esta medida, o economista, à SIC Notícias, começa por recordar que o impacto direto do apoio às e à manutenção dos postos de trabalho, por mês, é de 2,7 mil milhões de euros, “se multiplicar por dois, dá 5,4 mil milhões de euros e estamos a falar só de apoio às empresas”.
Sendo que o impacto global nas finanças, com aumento dos subsídios de desemprego e quebras nos impostos, deverá rondar os 10 mil milhões de euros, “e são valores adicionais, para além daquilo que o Estado já se endividava”, segundo estima o economista.
“E a questão surge porque enquanto cidadão, para além de economista, acho que temos de pensar como podemos arranjar soluções para esta situação. Uma delas é recorrer a fundos europeus, que estão a ser utilizados e que acabarão por chegar a alguns problemas; é através de empréstimos, o que acontecerá através do Mecanismo de Estabilidade mesmo que impondo condições; e uma terceira via, a da poupança interna. Ou seja, criarmos a nossa própria poupança”, detalha o especialista.
Questionado sobre até que ponto esta medida poderá ser ofensiva para os funcionários que durante anos sofreram cortes nos salários e perderam poder de compra, o economista explica que a sua proposta é “basicamente, adiar consumo”.
“Isto significaria que metade dos subsídios, de forma voluntária (sublinhou), seria pago em certificados de aforro, uma poupança que o trabalhador usaria quando quisesse. Caso não aceitassem este pagamento em ‘Certificados de Aforro Solidários covid-19’, porque se trata essencialmente de ser solidário (não sendo só para os funcionários públicos mas para os restantes também), podem escolher fazê-lo”, reforça.














