Artistas unem-se contra a Galp: denunciam “nova forma de colonialismo”

Artistas de países de língua oficial portuguesa estão a preparar um festival de música online que tem como ponto de partida um acto de contestação.

Executive Digest

Artistas de países de língua oficial portuguesa estão a preparar um festival de música online que tem como ponto de partida um acto de contestação. Os participantes pretendem denunciar aquilo que consideram ser “uma nova forma de colonialismo” por parte da Galp, que estará a contribuir para o agravamento da crise climática.

O festival Galp Must Fall Live terá lugar na próxima sexta-feira, dia 24, durante a Assembleia-Geral de Accionistas da energética. Estão previstas três horas de concertos e conversas nas páginas de Instagram da Greve Climática Estudantil e da 2degrees artivism – Bergalgo (Portugal), TRKZ (Moçambique), Nitry (Cabo Verde) e Djucu Dabó (Guiné-Bissau) são alguns dos artistas emergentes confirmados.

Em comunicado, os activistas por detrás da iniciativa explicam que o evento virtual faz parte de “um protesto que reivindica o desmantelamento da Galp, uma transição energética que seja justa para os trabalhadores afectados, reparações para as comunidades e ecossistemas afectados e energia pública para todas as pessoas, 100% renovável e gerida de forma democrática”. A empresa é acusada de ser o principal actor na crise climática em Portugal e de explorar combustíveis fósseis nos países que foram anteriormente colonizados pelos portugueses.

O activista João Reis, do colectivo Climáximo, explica ainda que o protesto tem outros vertentes, tanto digital como offline. Enquanto os artistas actuam no Instagram, membros deste movimento contra a Galp estarão presentes na Assembleia-Geral para questionar este órgão decisor.

Já Ana Rodrigues, do colectivo 2degrees artivism, explica que a cultura é a melhor forma encontrada para expressarem o seu desagrado face às políticas da Galp. «Como a Galp se dedica ao greenwashing através da música, achámos que fazia sentido contestarmos também nesse campo, mostrando que existem alternativas e que não os deixaremos continuar o caminho de destruição social e ambiental que estão a traçar», conta.

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Por seu turno, Andreia Ferreira, da organização da acção, sublinha que o problema não reside apenas na Galp, embora seja esta a empresa em foco. «Não é a Galp que tem de cair, é toda a economia fóssil e o sistema que coloca o lucro acima das vidas das pessoas e do futuro da Humanidade.»

A acção é co-organizada pelos colectivos Climáximo, Climate Save Portugal e 2degrees artivism e apoiada pelos colectivos JA! Justiça Ambiental (Moçambique), Linha Vermelha, Academia Cidadã, Greve Climática Estudantil, Movimento do Centro contra a Exploração de Gás, Extinction Rebellion Coimbra e A Coletiva.

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