Com 50 euros no bolso, os consumidores portugueses enfrentam hoje uma realidade bem diferente daquela que existia há quatro anos quando vão às compras. Em 2022, esse valor permitia comprar mais de oito quilos de carne de novilho para cozer. Em fevereiro de 2026, o mesmo montante já não chega sequer para quatro quilos.
De acordo com cálculos da DECO PROteste, a 5 de janeiro de 2022 um quilo de carne de novilho para cozer custava 5,82 euros. Quatro anos depois, a 4 de fevereiro de 2026, o preço médio atingiu os 13,51 euros por quilo, um aumento de 7,69 euros, o que representa uma subida de 132%. Na prática, com 50 euros, o consumidor comprava então cerca de 8,6 quilos desta carne; hoje, não consegue levar mais de 3,7 quilos.
Preço da carne de novilho em máximos históricos
Os dados mais recentes indicam que os aumentos poderão não ser temporários. Desde o início de 2026, o preço da carne de novilho para cozer tem seguido uma trajetória ascendente, com um acréscimo de 2,02 euros por quilo entre 7 de janeiro e 4 de fevereiro. O valor atual é o mais elevado desde que a DECO PROteste começou a monitorizar o preço do cabaz alimentar.
Este agravamento insere-se num contexto mais amplo de subida generalizada dos preços dos bens alimentares. Entre 5 de janeiro de 2022 e 18 de fevereiro de 2026, o cabaz de 63 produtos alimentares acompanhados pela associação de defesa do consumidor encareceu 65,57 euros, o que corresponde a um aumento de 35%.
Cabaz de carne mais caro em 16 euros desde 2022
Para analisar a evolução dos preços da carne, a DECO PROteste considerou o preço médio semanal de sete variedades: frango inteiro, lombo de porco, costeletas de porco, febras de porco, bife de peru, perna de peru e carne de novilho para cozer, com base nos valores recolhidos nas lojas online através do seu simulador.
Atualmente, um cabaz com um quilo de cada uma destas sete variedades custa, em média, 47,25 euros. A 5 de janeiro de 2022, a mesma cesta básica custava menos 16,08 euros, o que representa uma subida de 52% em quatro anos.
Se o consumidor dispuser apenas de 50 euros e quiser comprar quantidades iguais destas variedades de carne, hoje consegue levar para casa apenas 7,35 quilos. Em janeiro de 2022, o mesmo valor permitia adquirir cerca de 11,2 quilos.
Frango continua mais acessível, bife de peru entre os mais caros
Entre todas as carnes analisadas, a carne de novilho para cozer foi a que registou o maior aumento de preço desde 2022. Ainda assim, nenhuma das restantes variedades escapou às subidas.
O frango inteiro mantém-se como a opção mais barata para a maioria dos consumidores, apesar de também ter encarecido. O preço por quilo passou de 2,16 euros, em janeiro de 2022, para 2,81 euros em fevereiro de 2026, um aumento de cerca de 30%.
No extremo oposto, o bife de peru surge como uma das carnes mais caras. O preço por quilo subiu de 5,76 euros no início de 2022 para 9,60 euros na primeira semana de fevereiro de 2026, o que corresponde a uma subida de 67%. A perna de peru também registou um aumento significativo, de 3,64 euros para 5,14 euros por quilo, mais 41%.
No caso da carne de porco, o lombo foi a variedade que mais encareceu. Atualmente custa 5,98 euros por quilo, quando há quatro anos o preço era de 4,80 euros, um aumento de 25%. As costeletas de porco passaram de 4,56 euros para 5,20 euros por quilo, uma subida de 14%, enquanto as febras aumentaram de 4,44 euros para 5,01 euros por quilo, mais 13%.
A evolução dos preços mostra que, num período de apenas quatro anos, a carne se tornou um bem cada vez menos acessível para muitas famílias, obrigando os consumidores a ajustar hábitos e a fazer contas cada vez mais apertadas no supermercado.













