O mercado imobiliário regista já «sinais lentos de inversão de tendência do lado da procura», estimando-se «uma recuperação em V, embora um ‘V’ muito aberto do lado da recuperação», segundo uma análise mensal da consultora imobiliária Imovendo, a que o “Jornal de Negócios” teve acesso.
«É expectável que o mercado de compra e venda de moradias recupere de forma mais célere, uma vez que este tipo de produto, não só se destina, geralmente, a segmentos de população de mais altos rendimentos, como não sofrerá (como no caso dos apartamentos), de uma maior instabilidade de preços, por via da injeção de novo produto oriundo do alojamento local», realça a Imovendo na sua sétima análise mensal.
Manuel Braga, CEO da Imovendo, sublinha que, «hoje, quem tem o poder é a procura». «Até 15 de Março, quem definia preços era o proprietário, mas agora o comprador sabe que é um activo raro e dita condições. Há quem só visite imóveis na condição de o proprietário baixar 10% à cabeça. E com o eventual agravamento da crise, poderão, mesmo, acabar por aceitar», prevê.
Dados da mesma análise revelam que existem «quebras significativas do lado da procura, cujo ponto mínimo foi atingido na semana de 15 a 22 de Março», ou seja, quando foi determinado o primeiro Estado de Emergência em Portugal. «A queda abrupta da procura imobiliária parece já ter iniciado a sua recuperação, mas com um comportamento não simétrico», que resulta de factores sanitários, emocionais e económicos.
«Sanitários, uma vez que o estado de emergência ainda se encontra em vigor e o isolamento social ainda está recomendado; emocionais, pois a questão de fundo não é a de saber se é possível adquirir um imóvel, mas se as famílias se encontram emocionalmente disponíveis para tomar essa decisão agora; e económicos, em virtude de a contracção económica ter atirado mais de um milhão de portugueses para o lay-off ou para o desemprego, e todos os sinais apontarem para uma deterioração do emprego e da conjuntura económica em Portugal nos próximos 12 a 24 meses», explica-se.
Para o CEO da Imovendo, é preciso «a indústria do Turismo recuperar parte significativa do seu dinamismo e sustentabilidade e se se verificar uma resposta musculada por parte da União Europeia». Caso tal não aconteça, «a recuperação da economia demorará muito mais tempo» e «só será alcançada por via da austeridade e aumento da carga fiscal e o preço futuro a pagar por todos será significativo».
Manuel Braga deixa o recado: «Para um país periférico como Portugal, altamente dependente do Turismo, o pior cenário será o que assenta no endividamento soberano, que enfrentará sucessivos aumentos dos juros cobrados, e concorrerá para que o país entre numa espiral de austeridade como a que foi vivida até 2013». Assim sendo, o gestor antecipa que «caso tal aconteça, a nova normalidade do sector imobiliário será pautada pelo ajustamento em baixa dos preços, por uma rarefacção da procura e por uma excepcional dificuldade em escoar produto novo que, recorde-se, era apontado ainda há pouco tempo como uma prioridade do sector».









