Numa carta aberta ao Governo, a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe) rejeita o confinamento de idosos até ao final do ano, alertando para os perigos do isolamento na terceira idade.
Essa possibilidade foi anunciada na última semana pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e depois pela ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido. A APRe, contudo, entende que o confinamento «sem fim à vista» não é solução, mas sim «o caminho mais curto para a demência senil e uma sentença de morte antecipada para idosos que hoje têm autonomia».
«Confinar pessoas mais velhas durante meses seguidos configura um grave atentado aos Direitos Humanos», defende a associação, liderada por Maria do Rosário Gama, considerando que qualquer plano de levantamento de restrições «tem que contemplar, necessariamente, todas as faixas etárias». «Quem profere ou defende tais declarações não mede o alcance do que diz. Estão a ser visadas pessoas que podem estar frágeis, carentes de afecto, longe de familiares ou amigos, mas também tantas outras que, com a mesma idade, estão enérgicas, com todas as faculdades activas, com vidas bem preenchidas e úteis à família e à comunidade», reitera.
Assim sendo, a APRe rejeita «referências estigmatizantes que criem na sociedade a ideia, mais ou menos subtil, de que as pessoas mais velhas, apenas pela sua idade, não são bem vindas no espaço público e poderão constituir um factor acrescido para a expansão da pandemia. (…) Não aceitamos um regime de confinamento que coloque os mais velhos isolados física e socialmente. Cidadãs e cidadãos de pleno direito, cumpriremos as medidas consideradas necessárias para conter e minorar a propagação do vírus no contacto social» e «e nenhum poder democrático pode roubar a autonomia, a dignidade o direito de decisão e o prazer de viver dos seus cidadãos», conclui.
Portugal regista, neste momento, 20.863 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e o número de vítimas mortais subiu para 735, revela o último boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta segunda-feira, 20 de Abril. O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
Os cidadãos acima dos 70 anos têm, durante o período do Estado de Emergência, um dever especial de protecção. Quer isto dizer que só podem sair de casa nos casos previstos na lei: ir às compras; ao médico ou à farmácia; ao banco, correios, ou à seguradora; ir à rua passear o cão ou para algum exercício físico, sendo que as actividades colectivas estão proibidas.
O balanço mais recente da Agence France-Press aponta para 165.216 vítimas mortais em todo o mundo associadas à Covid-19, desde que surgiu em Dezembro na China. Há agora quase 2,5 milhões de infectados em 193 países e, pelo menos, 537.700 recuperados.














