Covid-19: Número real de casos nos EUA, China ou Itália pode ser 10 vezes superior, segundo especialistas

O total de casos do novo coronavírus em países como os Estados Unidos, China ou Itália, pode mesmo ser 10 vez superior aos números oficiais, de acordo com os investigadores.

Simone Silva

São vários os investigadores que acreditam que o número real de casos do novo coronavírus é muito superior à contagem oficial global, particularmente em países com surtos graves, tais como China, Itália e EUA, de acordo com o ‘Business Insider’.

Nestes países, a capacidade limitada de testes e a dificuldade em encontrar e identificar casos assintomáticos, são dois dos factores que contribuíram para que muitos pacientes não fossem diagnosticados. Os testes de diagnóstico também podem produzir falsos negativos se não forem administrados adequadamente ou se um paciente não apresentar ainda vírus suficiente no organismo para que seja detectado numa amostra.

Alguns especialistas em saúde pública sugeriram que o total real de casos na China, Itália e EUA possa ser pelo menos 10 vezes maior do que os números oficiais. «Realmente ninguém sabe», disse Elizabeth Halloran, bioestatística do Centro de Pesquisa em Câncer Fred Hutchinson e da Universidade de Washington, citada pelo ‘Business Insider’.

Halloran refere que o número real de casos nos EUA pode ser entre 5 a 20 vezes superior ao número actual, com base em modelos recentes. Muitos modelos de coronavírus são baseados em cálculos anteriores que tentam determinar quantas pessoas foram infectadas há várias semanas. Os investigadores então multiplicam esses dados para estimar o número real de casos.

Até agora, esses métodos indicaram que países como a China, Itália e EUA estão a ocultar casos por uma ordem de magnitude semelhante.

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Neil Ferguson, professor de epidemiologia no ‘Imperial College’ em Londres, estimou que em Fevereiro a China apenas tinha detectado cerca de 10% ou menos dos seus casos de coronavírus. Da mesma forma, o chefe da Agência de Proteção Civil da Itália disse ao jornal La Repubblica em Março que era «credível» assumir a proporção de um caso confirmado para cada 10 infecções no país.

Também Trevor Bedford, epidemiologista de ‘Fred Hutchinson’, estimou no fim de semana passado que os EUA estavam a confirmar entre uma em cada 10 e uma em cada 20 infecções, o que colocaria a contagem real de casos entre os cinco e os 10 milhões.

Um estudo de Março publicado na revista ‘Science’ sugeriu que o surto nos EUA seria cinco a 10 vezes superior aos números relatados pelo país. «Muitos modelos adoptam métodos diferentes e convergem para os mesmos resultados», disse Halloran, embora tenha acrescentado que «há muita incerteza».

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Exames de sangue podem identificar mais casos, mas algumas mortes nunca serão contadas

Especialistas em saúde pública ainda estão a discutir o número real de mortos pela gripe espanhola de 1918 mais de um século depois. Alguns estimam que cerca de 20 milhões de pessoas morreram, enquanto que outros acreditam que a contagem de mortes chegou aos 100 milhões .

Halloran disse que a pandemia actual será ainda mais fácil de entender, já que os investigadores poderão usar um exame de sangue para determinar se as pessoas desenvolveram anticorpos para o vírus.

«Nós vamos ter que juntar tudo com os testes sorológicos (imunidade)», disse. «Pode haver muito mais pessoas infectadas do que pensávamos».

Contudo, o teste de imunidade teria que ser implementado numa escala gigante para fornecer aos investigadores um entendimento firme do alcance da pandemia.

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«Era possível dar uma volta por aí e testar pessoas que regressam ao trabalho ou que saem do bairro ou em alternativa, olhar para os profissionais de saúde: quantos deles realmente tiveram a infecção e nunca a conheceram?», disse Halloran. «É o que temos de fazer para entender quantas pessoas foram realmente infectadas». Mesmo assim, acrescentou, «haverá sempre casos que nunca vão ser identificados».

Entre 4 de Março e 4 de Abril, a cidade de Nova Iorque registou mais de duas vezes o número de mortes mensais , segundo o ‘New York Times’. Das 5.330 mortes em excesso registadas durante esse mês, apenas 3.350 foram confirmadas como tendo sido causadas pelo novo coronavírus.

«Nunca saberemos se essas duas mil mortes foram devido ao coronavírus ou por outra coisa qualquer», disse Halloran. «É uma única cidade, num único mês em que eles provavelmente têm um atraso de duas semanas na notificação de mortes. Provavelmente, o número é muito maior», concluiu.

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