Apesar de algumas capitais de distrito apresentarem níveis de esforço mais próximos do limite considerado sustentável, a maioria das cidades analisadas continua muito acima da taxa recomendada de 33%, tanto no arrendamento como na compra de casa.
Arrendar casa continua fora do alcance em várias cidades
Entre as 20 cidades analisadas, o Funchal surge como o mercado mais pressionado no arrendamento, com uma taxa de esforço de 93% do rendimento familiar. Seguem-se Faro, onde arrendar casa consome 90% do salário, e Lisboa, com 84%. Também no Porto e em Setúbal os valores permanecem elevados, com taxas de esforço de 69% e 67%, respetivamente.
Outras cidades apresentam igualmente níveis significativos de pressão no mercado de arrendamento, como Ponta Delgada, Braga, Aveiro, Viana do Castelo, Évora, Santarém, Leiria e Coimbra. Ainda assim, há municípios onde o peso das rendas é relativamente menor. Em Bragança, Beja e Castelo Branco, a taxa de esforço situa-se entre 36% e 39%, enquanto Portalegre e Guarda se destacam como os únicos mercados com valores próximos do limite recomendado, ambos com 34%.
Comprar exige mais do que o rendimento disponível
No que diz respeito à compra de habitação, a pressão financeira é ainda mais acentuada em várias capitais de distrito. Lisboa lidera com uma taxa de esforço de 113%, o que significa que o rendimento médio das famílias é insuficiente para suportar os encargos associados à compra de casa. O Funchal surge logo a seguir, com 102%, e Faro regista 97%.
Em cidades como Aveiro, Porto, Braga, Ponta Delgada e Viana do Castelo, a compra de habitação continua a exigir uma fatia muito significativa do rendimento familiar, situando-se bem acima dos níveis considerados sustentáveis. Setúbal, Leiria, Coimbra, Évora, Santarém e Viseu apresentam também taxas de esforço elevadas, confirmando que o acesso à habitação própria permanece difícil na maioria dos centros urbanos.
Apenas seis capitais de distrito abaixo do limite recomendado
Segundo a análise, apenas seis capitais de distrito apresentam taxas de esforço iguais ou inferiores a 33% na compra de casa. A Guarda destaca-se como o mercado mais acessível, com uma taxa de esforço de 18%, seguida de Portalegre (21%), Castelo Branco (22%), Beja (26%), Bragança (27%) e Vila Real (31%).
Estas cidades mantêm-se como as menos pressionadas do país, tanto no arrendamento como na aquisição de habitação, contrastando com os grandes centros urbanos e turísticos, onde o peso da habitação no orçamento familiar continua a agravar-se.
Os dados evidenciam que, no final de 2025, o mercado imobiliário português permanece altamente desafiante para a maioria das famílias, com níveis de esforço financeiro que comprometem seriamente a capacidade de acesso a uma habitação adequada, sobretudo nas cidades com maior procura.









