A análise de Vitor Ribeirinho, CEO/ Senior Partner da KPMG Portugal
Moderação é a palavra-chave desta edição do Barómetro cujos dados, embora positivos, representam um ligeiro arrefecimento face ao registo das últimas edições. Começo por destacar uma questão que temos vindo a abordar com frequência também na KPMG, nomeadamente com o nosso projeto “Ambição para Portugal” e que diz respeito ao nível de preparação do país para crescer nos próximos anos. A maioria dos inquiridos (62%) fala num nível “moderado”, ficando claro que, apesar dos avanços relevantes que temos feito, ainda continuamos a ter alguns desafios estruturais que importam endereçar.
Ao nível das empresas, também a esmagadora maioria dos participantes (82%) espera um crescimento moderado, ainda que com a perspetiva de haver um aumento ao nível do investimento, da parte de metade dos inquiridos.
A perceção sobre o peso do Estado na economia mantém-se crítica, com 78% a considerá-lo elevado ou excessivo, reforçando a necessidade de uma maior eficiência e previsibilidade regulatória. Não obstante, as reformas propostas pelo Governo recolhem uma avaliação maioritariamente positiva, o que evidencia abertura a reformas estruturais.
Olhando para as três prioridades mais determinantes para a próxima década, o resultado é claro: Estado e Confiança Pública (74%), com foco na simplificação administrativa e transparência; Educação e Competências (64%), reforçando a qualificação e a articulação entre a Academia e as empresas; e Economia do Futuro (48%), impulsionando inovação, energias limpas e novos setores estratégicos. Independentemente das prioridades identificadas, o grande sinal positivo desta edição é o facto de as empresas manterem a ambição no seu crescimento e no desenvolvimento da economia nacional, ainda que encarem o futuro com maior prudência.
Testemunho publicado na edição de Fevereiro (nº. 239) da Executive Digest, no âmbito da XLVI edição do seu Barómetro.













