China aperta regras automóveis: depois das maçanetas, agora os volantes da Tesla na mira

Nos últimos meses, as autoridades chinesas têm reforçado a supervisão sobre tecnologias e soluções de design adotadas pelos construtores, num contexto de rápida inovação no setor, especialmente nos veículos elétricos

Automonitor

A China volta a apertar o cerco à indústria automóvel, desta vez com o volante em “manche” na mira. Depois de ter anunciado a proibição, a partir de 2027, da venda de veículos equipados exclusivamente com maçanetas embutidas na carroçaria por razões de segurança, Pequim prepara agora novas regras que poderão afastar do mercado os volantes sem aro superior, popularizados pela ‘Tesla’. A informação é avançada pelo site ‘Motor1’.

Nos últimos meses, as autoridades chinesas têm reforçado a supervisão sobre tecnologias e soluções de design adotadas pelos construtores, num contexto de rápida inovação no setor, especialmente nos veículos elétricos. O objetivo declarado é reforçar a segurança rodoviária e a proteção do consumidor, intervindo tanto na tecnologia embarcada como na forma como esta é apresentada ao público.



Segundo o ‘Motor1’, o chamado volante em forma de manche — caracterizado pela ausência de aro superior — está sob escrutínio não por questões de ergonomia, mas por motivos ligados à segurança passiva. Este tipo de volante, utilizado pela Tesla e também por marcas como a Lexus e a chinesa IM (do grupo SAIC), é promovido como elemento de estética futurista e diferenciação tecnológica.

Contudo, as autoridades chinesas consideram que a ausência de uma borda superior pode comprometer a proteção do condutor em caso de colisão. De acordo com o regulador, a presença do aro superior é essencial para reduzir o risco de projeção do condutor contra a coluna de direção ou o painel. As normas atualmente em vigor exigem testes de resistência e impacto em várias zonas do volante, incluindo a parte superior — requisito que os volantes do tipo “garfo” não cumprem.

Uma exceção regulamentar chegou a ser ponderada, mas foi retirada na versão mais recente do diploma. Outro ponto sensível prende-se com o funcionamento dos airbags: o Ministério da Indústria alerta para o risco acrescido de objetos serem projetados na direção do condutor quando este tipo de volante é utilizado.

A entrada em vigor das novas regras está prevista para 2027. Os modelos já homologados beneficiarão de um período transitório, mas os fabricantes terão de adaptar rapidamente as suas gamas. Em muitos casos, os veículos já oferecem volantes convencionais como alternativa.

O endurecimento regulatório surge poucos meses depois de Pequim ter anunciado que, a partir de 1 de janeiro de 2027, será proibida a venda de automóveis equipados apenas com maçanetas embutidas na carroçaria. Estas maçanetas, comuns em veículos elétricos pelo seu desenho aerodinâmico e minimalista, foram consideradas perigosas em caso de falha elétrica, por poderem impedir a abertura manual das portas.

Segundo as novas regras divulgadas pelo Ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação, todos os veículos vendidos na China terão de dispor de mecanismos mecânicos de abertura, tanto no exterior como no interior. Os modelos já aprovados terão um prazo adicional de dois anos para cumprir a norma. A decisão foi influenciada por casos mediáticos, incluindo um acidente em Chengdu em que socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo elétrico após incêndio.

De acordo com o Motor1”, estas medidas refletem a crescente preocupação das autoridades chinesas com a segurança num mercado que é atualmente o maior do mundo em veículos elétricos. Com dezenas de construtores ativos e forte concorrência tecnológica, a China procura agora impor limites claros a soluções de design consideradas potencialmente arriscadas, mesmo quando estas são associadas à imagem de inovação e modernidade.

O recado de Pequim parece inequívoco: a estética futurista e a diferenciação tecnológica não podem sobrepor-se aos critérios de segurança.

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