Covid-19. Cerca de 75 mil trabalhadores temporários já não têm trabalho

Profissionais que não estão em lay-off (seja com contrato suspenso ou redução de horário), mas sim fora do mercado de trabalho como consequência dos impactos económicos da pandemia.

Executive Digest

Neste momento, metade dos 150 mil trabalhadores temporários que em fevereiro desempenhavam funções nas empresas nacionais estão já sem trabalho, noticia, o ‘Expresso’.

O alerta para esta situação é lançado por Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Setor Privado de Emprego (Apespe), frisando que “o número pode ainda vir a aumentar mais”.

Segundo a Apespe, com base na informação disponibilizada pelos associados, são já pelo menos 75 mil os trabalhadores temporários atingidos. Profissionais que não estão em lay-off (seja com contrato suspenso ou redução de horário), mas sim fora do mercado de trabalho como consequência dos impactos económicos da pandemia.

E muitos, reconhece Afonso Carvalho, “podem nem ter acesso a subsídio de desemprego porque não chegaram a descontar o tempo suficiente para o requerer”.

Segundo a associação, na base do problema vai para além da paralisação de muitos setores na sequência da pandemia, e assenta na  “zona cinzenta” no decreto-lei que enquadra o regime de lay-off simplificado e que deixa dúvidas sobre a elegibilidade das empresas de trabalho temporário (ETT) a este apoio do Estado, que suporta parte do pagamento de salários.

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“Face à dúvida, a maioria das ETT não arrisca avançar para lay-off, sob pena de no momento da fiscalização, já depois de terem recebido o apoio, serem consideradas não elegíveis e terem de devolver milhares de euros ao Estado”, explica Afonso Carvalho.

Sem acesso ao mecanismo que permitiria obter uma comparticipação da Segurança Social para 70% dos salários e com um número crescente de cancelamentos de contratos por parte das empresas utilizadoras, os impactos a destruição de emprego são já visíveis.

Neste contexto, a Apespe tem procurado sensibilizar o Governo para os impactos da medida nas ETT e tem reivindicado que seja concedido aos temporários o mesmo apoio que aos restantes funcionários da empresa utilizadora, sem sucesso.

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