A gigante do gás russo Gazprom, que atravessa a maior crise desde a fundação, em 1993, prolongou hoje por mais cinco anos o contrato de Alexei Miller como presidente do consórcio.
O Conselho de Administração da Gazprom anunciou, em comunicado, a renovação do contrato, que expirava em 31 de maio.
Miller é um estreito colaborador do Presidente russo, Vladimir Putin, que o nomeou para a liderança da empresa estatal em 2001.
Putin e Miller, de 64 anos, conheceram-se após o fim da antiga União Soviética, quando trabalharam na câmara municipal da cidade natal, São Petersburgo (1991-1996).
A renovação do mandato do presidente da Gazprom ocorre num contexto em que, devido à guerra na Ucrânia, a empresa registou, nos últimos quatro anos, perdas de vários milhares de milhões, o que a levou a sair da lista das cem empresas russas com maiores lucros.
Além de ter perdido quase totalmente os países europeus como clientes, a Gazprom é afetada pelas sanções económicas ocidentais e pela suspensão dos fornecimentos através dos gasodutos Nord Stream, alvo de explosões em 2022.
A Rússia exporta diariamente cerca de 50 milhões de metros cúbicos de gás para a Europa através do gasoduto TurkStream, em comparação com os quase 500 milhões de metros cúbicos que exportava em 2020.
Além disso, os Estados Unidos continuam a pressionar a Hungria e a Eslováquia para que deixem de importar gás russo, o que se soma às sanções da Casa Branca contra as duas maiores petrolíferas russas: Rosneft e Lukoil.
Depois de ter registado, em 2023, as primeiras perdas desde 1999, estimadas em perto de sete mil milhões de dólares (cerca de 5,9 mil milhões de euros), Miller lançou um plano de transformação sem precedentes.
O projeto inclui a redução de 4.100 para 2.500 trabalhadores (quase 40%) na sede em São Petersburgo, o encerramento de escritórios internacionais, como os de Bruxelas e Tóquio, o fecho de filiais e a venda de ativos, entre outras medidas.
Como alternativa à Europa, a Gazprom apostou na construção de um novo gasoduto para a China (Força da Sibéria-2), com capacidade para 50 mil milhões de metros cúbicos anuais, uma vez que os 38 mil milhões do atual Força da Sibéria-1 são insuficientes para satisfazer a indústria do país vizinho.
Ainda assim, analistas garantiram que Pequim paga o gás a um preço muito inferior ao praticado pelos europeus, pelo que a Gazprom não obtém receitas suficientes para cobrir as perdas.














