Fenprof alerta: “há alunos a receber dinheiro em troca de passwords” na Zoom

Para o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), a divulgação das sessões, ministradas na plataforma Zoom, não resultou de uma falha no sistema, mas sim de “comportamentos humanos mal-intencionados”.

Revista de Imprensa

A Fenprof – Federação Nacional dos Professores está a recolher informação para apresentar queixa na Procuradoria-Geral da República contra quem gravou e transmitiu no YouTube aulas online e o sei líder, Mário Nogueira, avança que “há alunos a receber dinheiro em troca de passwords”, noticia, este sábado, o ‘JN’.

Já a par desta situação, o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), considera que a divulgação das sessões, ministradas na plataforma Zoom, não resultou de uma falha no sistema, mas sim de “comportamentos humanos mal-intencionados”.

Ao JN, fonte oficial da Polícia Judiciária explicou que, à partida, “não haverá crime”, uma vez que os autores da intromissão possuíam a identificação e a palavra-passe das reuniões. Isto porque, para entrar numa conferência na Zoom, é necessário inserir o número de identificação da sessão e respetiva password. O pedido de acesso tem, depois, de ser aceite pelo moderador da videoconferência, que, neste caso é o professor.

O esclarecimento surge depois de, nos últimos dias, um youtuber – cuja identidade é desconhecida – ter transmitido online aulas de várias escolas do país, ridicularizando professores e alunos. Em alguns casos, chegou mesmo a boicotar as lições. Os vídeos, que chegaram a ter, no total, mais de 148 mil visualizações, foram entretanto retirados pelo YouTube, por não cumprir as regras da rede social.

Não é ainda claro como é que o invasor recolheu os dados de acesso usados, mas o JN constatou, antes de as imagens serem apagadas, que foram vários os adolescente a fornecer a identificação e a password das suas aulas.

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Ao JN, Mário Nogueira assegura que esta sexta-feira, quatro dias depois de arrancar o 3.º período, já houve docentes a contactar o gabinete jurídico da Federação, não só por causa da intrusão de desconhecidos durante aulas online e a divulgação de imagens no YouTube como por terem conhecimento de alunos estarem a ser abordados para receberem dinheiro em troca das passwords de acesso às aulas.

A Fenprof, aliás, vai fazer um levantamento de todas as queixas dos docentes. “Há professores que denunciam que pais ocupam os lugares de alunos nas aulas ou que encarregados de educação lhes telefonam a qualquer hora, de dia ou noite para tirarem dúvidas”, revela Mário Nogueira.

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A Federação exige, por isso, ao Ministério da Educação que garanta, “com muita urgência, a utilização segura de plataformas de reunião online ou, apresente alternativas à sua utilização, para que professores e alunos possam desenvolver o seu trabalho com um mínimo de tranquilidade”.

À Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) não tinham chegado até esta sexta-feira queixas contra o acesso indevido a aulas e a consequente divulgação de imagens de professores e alunos. A PJ não recebeu, igualmente, qualquer participação similar à situação agora noticiada.

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