“Ainda estamos a alguma distancia de voltar à normalidade”: Proteção Civil relata situação “mais estável” do mau tempo, mas mantém avisos e alertas

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou esta sexta-feira, no final da manhã, para a manutenção de condições meteorológicas adversas em várias regiões do país

Pedro Gonçalves

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou esta sexta-feira, no final da manhã, para a manutenção de condições meteorológicas adversas em várias regiões do país, com rajadas entre os 80 e os 100 quilómetros por hora, forte agitação marítima na costa ocidental e queda de neve nas cotas mais elevadas.

Segundo explicou, a neve poderá descer “para os 800 a 1.000 metros de altitude”, enquanto a precipitação prevista durante a noite acabou por ser menos intensa do que o inicialmente estimado, o que permitiu alguma estabilização da situação hidrológica, em particular na bacia do Rio Mondego.



Mondego mais estável, mas risco mantém-se
Mário Silvestre sublinhou que, apesar da melhoria relativa, o perigo não desapareceu. “A precipitação prevista para esta noite foi um pouco menos intensa, portanto a situação que tínhamos no rio Mondego e a probabilidade de termos problema maior, para já está estável”, afirmou, acrescentando que a monitorização é permanente.

A Agência Portuguesa do Ambiente está a acompanhar de perto os caudais libertados pela Barragem da Aguieira, numa gestão considerada “muito fina”, com o objetivo de “minimizar ao máximo o impacto da precipitação, que continua a acontecer nessa bacia”.

Ainda assim, o responsável deixou um aviso claro: “Não estamos a dizer que não vamos ter problemas.” Com base no que ocorreu durante a noite, o cenário é “mais estável e menos gravoso”, mas “o risco de podermos ter de evacuar zona baixa de Coimbra mantém-se até esta noite”. Por isso, apelou à população para que se mantenha atenta e adote comportamentos preventivos.

Tejo, Sorraia e Sado sob vigilância apertada
O comandante indicou que o risco significativo de inundação se mantém no Mondego e também no Rio Tejo, onde continuam a verificar-se “afluências muito significativas”, embora com menor volume de descargas provenientes de barragens espanholas. Ainda assim, os caudais deverão permanecer elevados ao longo de todo o dia.

A situação no Tejo terá impacto direto no Rio Sorraia, que também apresenta risco relevante de cheias, tal como o Rio Sado.

Com risco não significativo, mas ainda presente, a Proteção Civil mantém acompanhamento em várias outras bacias hidrográficas, incluindo Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana.

Do ponto de vista hidrológico, referiu, “a situação não se alterou significativamente”, mas o abrandamento da chuva ajudou a reduzir os impactos imediatos na vida das populações.

Planos de emergência mantidos e milhares de operacionais no terreno
Apesar de um cenário “bastante mais positivo”, Mário Silvestre frisou que o país ainda está “a alguma distância de podermos dizer que vamos regressar à normalidade”.

Continuam ativados 12 planos distritais, 124 planos municipais e 15 situações de alerta. O plano especial para cheias no Tejo permanece no nível máximo, classificado como vermelho.

Desde o início do episódio de mau tempo, estiveram empenhados mais de 58 mil operacionais, que responderam a mais de 17 mil ocorrências. As situações mais frequentes envolvem quedas de árvores, inundações e movimentos de massa, nomeadamente derrocadas, consideradas “o maior problema” em termos de evacuações necessárias ou preventivas.

Falhas elétricas e perigos previstos para os próximos dias
As condições meteorológicas adversas também afetaram a rede elétrica. A empresa E-Redes registou um agravamento das interrupções, com cerca de 45 mil clientes sem fornecimento de energia.

Para hoje e amanhã, a Proteção Civil mantém como efeitos expectáveis inundações em áreas urbanas associadas a cursos de água e cheias, deslizamentos de terras, colapso de taludes, pisos rodoviários escorregadios, possível galgamento do mar em zonas costeiras, arrastamento de objetos para as vias e fraca visibilidade devido a neblina e nevoeiro.

O apelo final do comandante é de prudência: manter atenção às indicações das autoridades, evitar deslocações desnecessárias e antecipar medidas de autoproteção enquanto o mau tempo persistir.

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