Antecipar o jantar para o meio da tarde e deixar o organismo várias horas sem ingestão de alimentos pode ser uma estratégia decisiva para melhorar a digestão, aliviar o fígado e os rins e promover a saúde a longo prazo. A recomendação é do médico alemão Christian Engelbert, especialista em longevidade, que defende o jejum intermitente não como uma moda, mas como uma ferramenta fisiológica essencial para o equilíbrio do corpo.
Numa entrevista ao jornal alemão Welt, Engelbert sustenta que reduzir a carga alimentar ao final do dia permite ao organismo concentrar-se nos processos naturais de desintoxicação e recuperação celular, defendendo mesmo que a última refeição deve ocorrer por volta das 16h.
Para o médico, o debate em torno do jejum intermitente deve sair do campo das dietas da moda. Engelbert considera que esta prática constitui “um pilar fundamental para a saúde a longo prazo”, sublinhando que o corpo precisa de pausas alimentares para funcionar de forma eficiente.
Ao explicar o racional fisiológico, refere que o sistema digestivo trabalha continuamente para processar tudo o que ingerimos e eliminar o que é nocivo. Como afirmou, “o nosso corpo tem de verificar a compatibilidade de tudo o que ingerimos e depois eliminar tudo o que é supérfluo e tóxico”, lembrando que o exemplo do álcool é claro: “sabemos pelo álcool: sem desintoxicação, estaríamos num estado constante de intoxicação”.
Fígado e rins trabalham sobretudo à noite
Segundo Engelbert, o organismo já dispõe de mecanismos internos sofisticados de limpeza metabólica. O problema, alerta, é que a alimentação constante e tardia interfere com esse processo.
O médico explica que “temos um sistema inato de desintoxicação bioquímica, e muitas reações bioquímicas importantes ocorrem automaticamente no fígado, nos rins, no baço, nos pulmões e na pele”, embora reconheça que “muitas das substâncias que ingerimos são impossíveis de desintoxicar”.
A chave, diz, está no ritmo biológico. “O corpo funciona ritmicamente; a digestão e a desintoxicação ocorrem principalmente durante a noite. Por isso, convém comer leve a partir da tarde”, aconselha.
Jantar cedo e leve: sopa ou legumes
A recomendação prática é simples: reduzir a quantidade e a complexidade dos alimentos ao final do dia e antecipar significativamente a última refeição.
Engelbert recorda que quase toda a gente já sentiu os efeitos de um jantar pesado: “todos conhecemos as consequências de um jantar copioso com muito álcool: inchaço e sensação de enfartamento durante a noite, dor de cabeça e mau humor na manhã seguinte”.
Perante isso, é direto na prescrição clínica: o conselho “como médico é jejuar”.
Na prática, sugere refeições de fácil digestão, como sopa ou legumes cozidos a vapor, e feitas ainda durante a tarde. “Tenta fazer a tua última refeição às quatro da tarde e observa o que acontece ao teu corpo. Vais sentir-te muito melhor ao fim de alguns dias”, afirmou durante a entrevista.
Duas vezes por semana para começar
O especialista em longevidade considera que não é necessário aplicar esta rotina todos os dias desde o início. Para avaliar a resposta do organismo, recomenda testar o jejum intermitente de forma gradual.
De acordo com Engelbert, esta pausa alimentar “ajuda o sistema a melhorar as digestões” e pode ser experimentada “uma ou duas vezes por semana” para perceber como o corpo reage.
A proposta encaixa numa abordagem preventiva, centrada na redução da sobrecarga metabólica e na promoção do descanso fisiológico dos órgãos responsáveis pela filtragem e eliminação de toxinas.








