O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, avisou esta quinta-feira ao final da tarde que várias bacias hidrográficas do país continuam sob forte pressão devido ao mau tempo, com caudais elevados, risco acrescido de inundações rápidas e possibilidade de retirada preventiva de populações, sobretudo nas zonas ribeirinhas do Tejo e do Mondego.
Em conferência de imprensa, o responsável deixou um apelo direto à preparação das comunidades mais vulneráveis, sublinhando que “as populações ribeirinhas (Mondego) devem estar preparadas para eventualmente terem de sair de casa”, admitindo que “pode haver afetação por esta inundação no Mondego”.
Tejo com caudais muito elevados e lezíria sob ameaça
O cenário mais preocupante mantém-se na bacia do Tejo, onde os níveis de água continuam altos, em grande parte devido às descargas das barragens, incluindo afluências provenientes de Espanha.
Segundo Mário Silvestre, “no Tejo mantêm-se níveis de água bastante elevados, maior parte deles provenientes de barragens, nomeadamente de Espanha”. O comandante detalhou que “há um somatório na bacia do Tejo de aproximadamente 6 mil metros cúbicos de água por segundo”, valor que poderá traduzir-se em novas inundações nas zonas mais baixas.
Esse volume, explicou, “implica que zonas baixas, sobretudo da lezíria do Tejo, possam ser novamente inundadas durante a noite de hoje” e a previsão operacional aponta para a manutenção dos caudais elevados.
Perante este cenário, reforçou o aviso: “alertamos para estas populações ribeirinhas destas zonas que tenham todo o cuidado e que estejam preparados para eventualmente abandonar as casas durante este período”.
Sorraia, Vouga, Águeda e Sado também em risco elevado
Além do Tejo, a Proteção Civil identificou risco elevado de inundação em vários outros cursos de água, com destaque para o Sorraia, Vouga, Águeda e Sado.
No caso do Sorraia, o impacto pode ser agravado pelas descargas do próprio Tejo. “Os caudais do Tejo também poderão ter impacto no Sorraia, pelo que Coruche e Benavente poderão sofrer impactos”, alertou Mário Silvestre, considerando “crítico que as pessoas tenham comportamento seguro relativamente a estes eventos”.
Subidas rápidas em vários rios do norte e centro
A monitorização hidrológica aponta ainda para comportamentos instáveis em diversos rios do norte e centro do país, caracterizados por subidas rápidas seguidas de descidas igualmente bruscas, o que pode criar uma falsa sensação de segurança.
Estão sob vigilância os rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Lis, Nabão e Guadiana.
De acordo com o comandante nacional, “estes rios estão a ter comportamento de subida rápida das águas e depois o seu retorno ao leito”. O problema, frisou, é que “as pessoas quando a água retorna ao leito têm tendência a regressar às suas habitações e retomar a vida quotidiana”.
Por isso, deixou novo apelo à prudência: “alertamos para que se mantenham vigilantes quanto à subida das águas nestes rios, que têm subidas muito rápidas”.
12 planos distritais ativados e milhares de operacionais no terreno
Face à dimensão do fenómeno meteorológico, o dispositivo de proteção civil foi reforçado em todo o país. Estão atualmente “12 planos distritais de emergência e proteção civil ativados, 124 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta”.
O plano especial de cheias na bacia do Tejo mantém-se no nível máximo. “O plano especial de cheias na bacia do Tejo mantém-se no nível máximo, o vermelho”, confirmou.
Desde o início do período de mau tempo, o balanço operacional é expressivo: “até ao momento 16.623 ocorrências”, com “mais de 56 mil operacionais envolvidos e 23.124 meios no terreno”.
As situações mais frequentes continuam a ser “queda de árvore e inundações”.
Deslizamentos de terras são ameaça acrescida
Apesar do elevado número de cheias, o comandante destacou que o impacto mais severo em termos de desalojados está associado a outro tipo de fenómeno.
“Mas o impacto mais significativo em desalojados tem a ver com movimentos de massas, que estão a comprometer infraestruturas, redes rodoviárias e ferroviárias”, referiu.
A Proteção Civil alerta para o risco continuado de derrocadas e deslizamentos de terras, consequência da saturação dos solos. “Alertamos para este fenómeno, de derrocadas e deslizamentos de terras. É mais um risco significativo que não vai passar com o alívio que se prevê depois na precipitação”.
Mesmo com eventual melhoria do tempo, o perigo mantém-se: “mantém-se porque os solos estão muito saturados, pelo que permanecerão nos próximos dias”.
Perante este quadro, as autoridades pedem vigilância permanente, cumprimento das orientações oficiais e preparação para eventuais evacuações rápidas nas zonas mais expostas.














