Entre os mais velhos (70 a 75 anos), 75% sentem que estão a «perder tempo de vida» e apenas 25% tem esperança de que tudo vá melhorar. Estes são resultados de um estudo do Observatório da Solidão, do Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo, sobre a forma como a pandemia é vivida e sentida pelos portugueses, citado pelo “Público”.
Para o director do instituto e responsável do observatório, Adalberto Carvalho, estes dados confirmam que é entre os mais velhos que a Covid-19 está a causar consequências psicológicas e comportamentais que «não podem ser desprezadas».
À mesma pergunta – «sente que está a perder tempo de vida?» – 30% dos inquiridos (entre as 411 respostas validadas) admitiram ter esse sentimento «muitas vezes». Entre os mais jovens, a percentagem sobe é de 41%.
Por outro lado, apenas 19,2% dos inquiridos se sente só «muitas vezes». Outros 29,9% dizem experience esse sentimento «algumas vezes» e 26,3% «raramente». E, mais uma vez, os mais velhos são quem sente mais solidão. A maioria revela que a família (74%) e os amigos (69,6%) os procuram «muitas» ou «algumas vezes». Mais de metade (54%) dos que procuram ajuda de familiares e amigos dizem tê-la «muitas vezes».
«Em Portugal, temos um sentido de família muito forte. Pode ser uma almofada muito importante», sublinha Adalberto Carvalho. Assim como a tecnologia: «Como estaríamos a viver esta crise existencial sem os meios de comunicação virtual que temos? A visualização da imagem dos amigos e familiares é tão próxima que quase ilude o toque. Só não dá o beijo ou o abraço. Mas tem uma importância extraordinária».
A ansiedade é sentida algumas vezes por mais de metade (58%), sobretudo entre as mulheres (30%). Ainda assim, 83% diz nunca tomar sedativos.
A mesmo estudo revela que a esmagadora maioria da população (91%) está a cumprir o confinamento. 41% dizem que raramente se têm irritado com as pessoas próximas, mas os homens (46%) admitem que ficam iirritados mais vezes do que as mulheres (26%), embora eles (28,8%) discutam menos do que elas (31,6%). Os animais de companhia (61%) têm ajudado a melhorar os dias.
Em tempo de pandemia, mais de metade (52%) diz ler livros ou revistas «raramente» ou «algumas vezes», sendo que 30% nunca lê. Em relação à imprensa, só 11% a lê «muitas vezes» e 43% nunca lê. Entre os mais jovens (16-20 anos) este valor sobe para 58%.
Já a Internet é utilizado por praticamente todos (94%) e mais de metade (54%) nas redes sociais. A televisão (54%) é o meio mais utilizado para acompanhar o noticiário, em contraste com o rádio (14%).
Actividades religiosas não são praticadas pela maioria (74%). Metade dos inquiridos admitiu ainda nunca sair para fazer o «passeio higiénico». 84% declararem nunca dar passeios longos.
Em Portugal, o decreto presidencial que prolonga até 2 de maio o Estado de Emergência iniciado em 19 de Março foi aprovado e prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
De acordo com o último balanço da Agence France-Press, a partir de dados oficiais, foram registadas 145.673 mortos e pelo menos 2.182.740 casos de infecção em 193 países. Pelo menos 474.900 doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.






