Cuidado com o pelo do seu cão ou gato: uma espécie invasora está a percorrer milhares de quilómetros pela Europa

Estudo, publicado na revista científica ‘PeerJ’ e citado pelo ‘Daily Mail’, sugere que os animais domésticos podem estar a desempenhar um papel importante na disseminação da espécie Caenoplana variegata

Francisco Laranjeira

Donos de cães e gatos podem querer olhar duas vezes para o pelo dos seus animais este fim de semana. Segundo o tabloide britânico ‘Daily Mail’, especialistas do Museu Nacional de História Natural de França identificaram um novo “passageiro clandestino” que pode estar a viajar agarrado à pelagem: vermes planos invasores capazes de se fixar graças a um muco extremamente pegajoso.

Estes vermes achatados podem atingir até 20 centímetros de comprimento e aderem ao pelo dos animais enquanto estes passeiam no exterior. Fotografias divulgadas pelos investigadores mostram exemplares recolhidos de cães e gatos, ainda com tufos de pelo presos ao corpo.



A boa notícia é que os vermes não representam perigo direto para os animais de estimação. A preocupação dos especialistas é outra: o impacto ambiental. Estes platelmintos invasores podem causar danos significativos aos insetos nativos e ao equilíbrio do solo, afetando ecossistemas locais.

O estudo, publicado na revista científica ‘PeerJ’ e citado pelo ‘Daily Mail’, sugere que os animais domésticos podem estar a desempenhar um papel importante na disseminação da espécie Caenoplana variegata, também conhecida como platelminto listrado de amarelo. Esta espécie é originária da Austrália e distingue-se por uma faixa amarela brilhante ao longo do dorso, acompanhada por duas linhas castanhas mais estreitas.

Até agora, acreditava-se que a propagação destes vermes ocorria sobretudo através do transporte de plantas. No entanto, após mais de 12 anos de dados recolhidos em iniciativas de ciência cidadã em França, os investigadores concluíram que cães e gatos também podem estar a ajudar involuntariamente na sua dispersão.

Os cientistas estimam que cães e gatos percorram, em conjunto, cerca de 18 mil milhões de quilómetros por ano. Mesmo que apenas uma pequena percentagem transporte estes vermes, a distância acumulada pode contribuir significativamente para a expansão da espécie pela Europa — e potencialmente por outros continentes.

O muco particularmente pegajoso do Caenoplana variegata, aliado ao facto de se alimentar de artrópodes e conseguir reproduzir-se sem parceiro, facilita ainda mais a sua disseminação. Embora o estudo se tenha centrado em França, os investigadores acreditam que o mesmo fenómeno poderá estar a ocorrer no Reino Unido e noutros países europeus.

A recomendação é simples: verificar regularmente o pelo dos animais de estimação, especialmente após passeios em jardins, parques ou zonas húmidas. Não se trata de alarmismo, mas de vigilância básica para evitar que espécies invasoras se espalhem inadvertidamente.

Num contexto em que as alterações climáticas e a mobilidade global já favorecem a circulação de espécies não nativas, até um passeio inocente do seu cão pode ter consequências inesperadas para o ambiente.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.