Tempestade de crises, gafes públicas e pressão política: Como foram os 251 dias de Maria Lúcia Amaral no MAI?

Maria Lúcia Amaral apresentou ontem ao final do dia a demissão do cargo de ministra da Administração Interna, encerrando um mandato de apenas 251 dias marcado por polémicas públicas, críticas à gestão de crises e desgaste político acumulado.

Pedro Gonçalves

Maria Lúcia Amaral apresentou ontem ao final do dia a demissão do cargo de ministra da Administração Interna, encerrando um mandato de apenas 251 dias marcado por polémicas públicas, críticas à gestão de crises e desgaste político acumulado. A agora ex-governante justificou a saída por considerar já não dispor das “condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumirá interinamente a tutela do Ministério da Administração Interna (MAI), enquanto é escolhido um substituto para uma das pastas mais exigentes do Executivo.



A saída surge após meses de polémicas que envolveram a gestão dos incêndios florestais, protestos das forças de segurança, falhas no controlo de fronteiras nos aeroportos e, mais recentemente, a resposta à tempestade Kristin, considerada o ponto de rutura.

Entrada num ministério “exigente” e a prova de fogo dos incêndios
Antiga provedora de Justiça durante mais de oito anos, Maria Lúcia Amaral foi escolhida diretamente por Luís Montenegro para integrar o Governo após as legislativas de maio. Tomou posse no início de junho, precisamente à porta do período crítico de incêndios.

Logo na cerimónia, reconheceu que o MAI não seria uma pasta “fácil” e recusou estabelecer prioridades imediatas, afirmando que ainda iria estudar os processos: “Não estou ainda em condições de responder ao que quer que seja, porque acabei de tomar posse e vou estudar os dossiês”.

O tempo para adaptação foi curto. O verão trouxe fogos de grande dimensão, quatro vítimas mortais e fez de 2025 o terceiro pior ano de sempre em área ardida.

A ministra foi criticada pela demora em falar ao país. Quando o fez, a intervenção durou menos de cinco minutos e terminou abruptamente com um “vamos embora”, recusando perguntas dos jornalistas — um momento que desencadeou forte contestação política e mediática.

Perante pedidos de demissão, respondeu que não abandonaria funções: “Não vou trair o juramento de lealdade dois meses depois, apresentando a minha demissão ou pensando em demitir-me”.

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