O presidente do Nicarágua, Daniel Ortega, de 74 anos, está desaparecido há mais de um mês. Foi visto pela última vez em público no dia 21 de Fevereiro durante um evento militar. Depois disso a 12 de Março, participou numa reunião por videoconferência com líderes centro americanos. Desde essa altura, ninguém sabe onde está, segundo a agência ‘Reuters’.
Nas redes sociais correm memes da população do país que dizem «Faz como o Ortega. Fica em casa», referindo-se ao seu presidente que nunca mais apareceu em público. Quem está actualmente à frente do governo do país é a sua mulher e vice-presidente Rosaria Murillo.
O presidente do Nicarágua está no poder desde 2007, tendo também liderado o país entre 1979 e 1990, após a vitória da revolução sandinista que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debalde.
Ortega sofreu dois ataques cardíacos no passado (um deles em 1994, tendo recuperado em Cuba) e tem o colesterol elevado e outros problemas de saúde associados. Um facto que causou rumores de que possa estar em quarentena, hospitalizado ou até morto. O governo recusou-se a responder às perguntas da Reuters sobre o estado de saúde do presidente ou o seu paradeiro.
O analista politico, Eliseo Nuñez considera que «Não é pouco comum que Ortega não apareça numa crise como esta. A estratégia de Rosario Murillo é convertê-lo numa espécie de divindade. Ele não dá más notícias. Ortega só aparece para dar boas notícias, instruções finais, tudo o resto serão outros a fazer», disse citado pela ‘BBC’.
«Ortega é o único líder da América Latina que não fez um único anúncio público sobre a forma como o seu governo ia responder à pandemia. A vice-presidente Rosario Murillo, que é casada com Ortega, disse aos nicaraguenses para manterem a calma e continuarem a trabalhar», escreveu a Human Rights Watch na semana passada, considerando «imprudente» a resposta do país à pandemia da Covid-19.
País criticado pela falta de implementação de medidas
A Nicarágua, ao contrário dos países vizinhos, optou por não encerrar escolas nem universidades e a própria fronteira continua aberta. A quarentena é apenas obrigatória para quem chega do estrangeiro.
Não foram adoptadas quaisquer medidas de distanciamento social, ainda que a população decida ter alguma cautela por iniciativa própria. Empresas fecharam ou optaram pelo regime de tele-trabalho e houve um aumento da procura das aplicações de entrega de comida.
Nem a Páscoa foi afectada, as suas celebrações decorreram de forma normal, embora a Igreja Católica tenha protestado. O próprio governo tem promovido eventos com multidões, como a «marcha Amor em Tempos de Covid-19», há um mês.
«Estamos preocupados com a falta de distância social, as reuniões de massas», disse a diretora da Organização de Saúde Pan-Americana e directora para as Américas da Organização Mundial da Saúde, Carissa F. Etienne. «Temos preocupação com os testes, o estudo dos contactos sociais, o relatar de casos. Também estamos preocupados com a prevenção e o controlo desadequado e infecções» revela citada pela ‘CNN’.
Segundo os dados oficiais, a Nicarágua conta com 11 casos de infecção pelo novo coronavírus, que o Ministério da Saúde indica serem todos importados, e apenas uma vítima mortal. «Não temos transmissão local comunitária. Infinitas graças ao Senhor!», disse Rosario Murillo. Os especialistas duvidam destes dados.














