NASA descobre 7 mil novos planetas, mas quer a sua ajuda para identificar ainda mais

ExoMiner, um software baseado em Inteligência Artificial, está a transformar a forma como os astrónomos analisam observações antigas e recentes

Executive Digest
Janeiro 26, 2026
17:55

A corrida à identificação de planetas fora do Sistema Solar entrou numa nova fase com a integração da Inteligência Artificial nos programas científicos da NASA. Mesmo antes da chegada de novos telescópios espaciais, como o Nancy Grace Roman, a agência americana está já a identificar milhares de potenciais exoplanetas ocultos em dados recolhidos ao longo da última década, graças a sistemas avançados de análise automática.

De acordo com a NASA, o principal desafio deixou de ser a recolha de informação e passou a ser a capacidade de processar o volume massivo de dados astronómicos disponíveis. É nesse contexto que surge o ExoMiner, um software baseado em Inteligência Artificial que está a transformar a forma como os astrónomos analisam observações antigas e recentes.

Mais de 6.000 exoplanetas confirmados e milhares ainda por validar

Em setembro de 2025, a NASA anunciou que o número oficial de exoplanetas confirmados ultrapassava os 6.000, com cerca de 8.000 candidatos adicionais à espera de validação. No entanto, o número real de planetas que orbitam estrelas distantes poderá ser substancialmente superior, em grande parte devido à aplicação do ExoMiner aos arquivos científicos existentes.

Segundo a NASA, este sistema começou a ser utilizado em 2021 para reanalisar dados recolhidos pelos telescópios espaciais Kepler e TESS, responsáveis por cerca de metade de todos os exoplanetas conhecidos até hoje. A reavaliação destes dados antigos revelou um potencial significativo para novas descobertas que tinham passado despercebidas aos métodos tradicionais.

ExoMiner++ identifica milhares de novos candidatos

A primeira versão do ExoMiner permitiu identificar 370 novos exoplanetas nos dados do telescópio Kepler. Mais recentemente, uma versão aprimorada, designada ExoMiner++, elevou substancialmente esse número. De acordo com um estudo publicado no ‘Astronomical Journal’, o sistema analisou dados do TESS e sinalizou cerca de 7.000 novos candidatos a planetas apenas na sua primeira análise.

A NASA sublinha que estes objetos ainda não estão confirmados como exoplanetas, uma vez que essa validação exige observações adicionais. Ainda assim, o ExoMiner++ funciona como um guia estratégico para os astrónomos, indicando com precisão quais os sistemas estelares que justificam estudos mais aprofundados.

Software aberto ao público acelera investigação científica

Um dos aspetos mais relevantes do ExoMiner++ é o seu carácter open-source. O software está disponível gratuitamente no GitHub e pode ser ligado diretamente ao arquivo público de dados do TESS, permitindo que investigadores independentes, universidades e até astrónomos amadores participem no processo de descoberta.

Segundo a NASA, esta abordagem aberta visa acelerar o progresso científico, permitindo que os resultados sejam replicados, verificados e aprofundados por investigadores de todo o mundo, sem restrições institucionais.

Preparação para o telescópio Nancy Grace Roman

A agência espacial americana espera que o ExoMiner, ou versões ainda mais avançadas, desempenhe um papel central na análise dos dados do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto, no máximo, para maio de 2027. Tal como aconteceu com missões anteriores, os dados recolhidos por este novo observatório também serão disponibilizados ao público.

De acordo com a NASA, o objetivo é manter o crescimento acelerado da descoberta de exoplanetas iniciado em 1995 com a deteção do 51 Pegasi b, abrindo caminho para futuras investigações sobre a habitabilidade destes mundos distantes.

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