Oferta de habitação para compra cai a pique, arrendamento ganha força em Portugal

A oferta de habitação em Portugal registou uma alteração significativa entre 2024 e 2025, marcada por uma forte redução dos imóveis disponíveis para compra e por um crescimento expressivo do mercado de arrendamento.

Pedro Gonçalves
Janeiro 26, 2026
15:05

A oferta de habitação em Portugal registou uma alteração significativa entre 2024 e 2025, marcada por uma forte redução dos imóveis disponíveis para compra e por um crescimento expressivo do mercado de arrendamento. De acordo com um comunicado divulgado pelo Imovirtual, esta evolução confirma uma mudança estrutural no mercado residencial, com impacto direto nas opções de quem procura adquirir ou arrendar casa, sobretudo nos principais centros urbanos.

Segundo os dados analisados pelo portal imobiliário, o número de apartamentos disponíveis para compra caiu mais de 30% num único ano, passando de 1.524.674 anúncios em 2024 para 1.057.552 em 2025, o que representa menos 467.122 imóveis no mercado. A quebra estendeu-se também às moradias para venda, cuja oferta recuou mais de 19%, totalizando agora 774.416 anúncios, menos 184.059 face ao ano anterior. Lisboa, Porto e Setúbal concentram os maiores volumes de oferta, mas são também os distritos onde se registam as quebras mais acentuadas, sinalizando um agravamento das dificuldades de acesso à compra de habitação nas zonas de maior pressão.

No segmento dos apartamentos para compra, o Porto mantém-se como o distrito com maior número de anúncios, com 362.575 imóveis disponíveis em 2025, apesar de uma redução de 26,8% em relação a 2024. Lisboa surge logo a seguir, com 251.763 apartamentos, mas destaca-se pela quebra mais expressiva entre os grandes mercados, superior a 40%. Setúbal regista igualmente uma redução significativa, passando para 90.071 anúncios (-32,9%), enquanto Aveiro contabiliza 60.088 imóveis para venda, menos 23% do que no ano anterior, reforçando a tendência de escassez de oferta para compra nas áreas mais procuradas.

Em sentido inverso, o mercado de arrendamento continua a ganhar peso. Lisboa lidera em volume absoluto, com 61.816 apartamentos disponíveis em 2025, um crescimento de 11,5% face a 2024. O Porto regista 34.010 anúncios, correspondendo a um aumento de 20,4%, enquanto Setúbal sobe para 8.905 apartamentos para arrendar (+28,6%). Braga e Faro seguem a mesma tendência, com 6.902 (+33,2%) e 6.029 anúncios (+5,1%), respectivamente, reflectindo a influência da mobilidade profissional, da concentração de emprego e, em alguns territórios, da pressão turística.

O mesmo padrão é observado no segmento das moradias. No arrendamento, a oferta cresce em vários distritos, com destaque para o Porto, que soma 3.419 casas disponíveis (+14,7%), Setúbal, com 3.027 anúncios (+18,6%), e Braga, onde a oferta aumenta para 1.655 moradias (+27,2%). Já na compra, a tendência é de retração generalizada: Lisboa passa a contar com 101.271 moradias para venda (-25,9%), o Porto regista 107.589 anúncios (-29,1%) e Setúbal recua para 81.645 imóveis (-23,1%). Faro surge como uma excepção parcial, com 82.729 casas disponíveis para compra, uma ligeira subida de 1,5%, associada à resiliência do mercado turístico e à procura por segunda habitação.

Citada no comunicado do Imovirtual, a Marketing Manager da plataforma, Sylvia Bozzo, sublinha que “os dados evidenciam uma mudança clara na estrutura do mercado habitacional em Portugal”. Segundo a responsável, “a redução da oferta para compra, sobretudo nos grandes centros urbanos, contrasta com o crescimento do arrendamento, reflectindo não apenas o contexto económico e financeiro, mas também novas dinâmicas de mobilidade, estilos de vida e decisões de investimento”.

No conjunto, os dados revelam um mercado cada vez mais assimétrico, em que a oferta cresce sobretudo no arrendamento e se concentra nos principais centros urbanos, enquanto a disponibilidade de imóveis para compra encolhe de forma transversal, mesmo nos distritos historicamente mais ativos. Lisboa e Porto continuam a liderar em volume absoluto, mas registam quebras expressivas na oferta para venda, uma pressão estrutural que se estende a Setúbal, Braga e Aveiro. Em paralelo, distritos como Faro mantêm alguma resiliência, sustentada pela procura turística e de segunda habitação, confirmando um mercado em transformação, onde a localização, o tipo de imóvel e o objetivo — viver, investir ou manter flexibilidade — se tornaram factores decisivos.

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