Presidenciais: Seguro capta maioria dos votos da direita e deixa Ventura a larga distância na 2.ª volta, mostra sondagem

Se a segunda volta das eleições presidenciais se realizasse hoje, António José Seguro venceria com uma margem confortável de 60,8% dos votos, deixando André Ventura muito atrás, com apenas 24,5%.

Revista de Imprensa
Janeiro 23, 2026
9:25

Se a segunda volta das eleições presidenciais se realizasse hoje, António José Seguro venceria com uma margem confortável de 60,8% dos votos, deixando André Ventura muito atrás, com apenas 24,5%. Os dados constam do barómetro da Intercampus realizado para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV, cujos trabalhos de campo decorreram entre 19 e 21 de janeiro, imediatamente após a primeira volta, e apontam para uma vantagem ainda maior do que a registada antes do primeiro escrutínio, com uma margem de erro de quatro pontos percentuais.

O candidato apoiado pelo PS, que obteve 31,11% na primeira volta, beneficia de uma transferência de votos significativa tanto à esquerda como à direita do espetro político, enquanto o líder do Chega, que tinha alcançado 23,52%, regista apenas uma subida residual. As intenções de voto em ambos os candidatos surgem distribuídas de forma relativamente uniforme por sexo e idade, mantendo-se, ainda assim, uma fatia relevante de indecisos, estimada em 14,8%, sobretudo entre eleitores que apoiaram João Cotrim de Figueiredo.

Entre os votantes do candidato da Iniciativa Liberal, que alcançou 16% e mais de 900 mil votos na primeira volta, cerca de 52,9% dizem agora inclinar-se para António José Seguro, enquanto apenas 10,6% admitem votar em André Ventura e 36,5% permanecem indecisos ou ponderam não votar. Cotrim de Figueiredo recusou endossar qualquer apoio, afirmando que “não tenciono endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos na segunda volta”, posição também assumida oficialmente pela Iniciativa Liberal, apesar de várias figuras de relevo do partido, como Carlos Guimarães Pinto, Rodrigo Saraiva, Mário Amorim Lopes e José Miguel Júdice, terem entretanto declarado apoio a Seguro.

A transferência de votos é ainda mais expressiva entre os eleitores de Luís Marques Mendes e de Henrique Gouveia e Melo. No caso do antigo candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, que somou 637 mil votos, 73,4% dizem tencionar votar em Seguro, contra apenas 3,1% que optam por Ventura, permanecendo 23,4% sem decisão. Entre os apoiantes de Gouveia e Melo, 72,6% indicam agora o candidato socialista, enquanto 6,8% se deslocam para o líder do Chega e 20,5% mantêm a decisão em aberto. Marques Mendes veio entretanto manifestar apoio a Seguro “por uma razão de coerência”, sublinhando valores como “a defesa da democracia” e a moderação, ao passo que o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, reiterou a neutralidade do partido.

À esquerda, o apoio a António José Seguro é ainda mais claro. De acordo com o barómetro, 78,9% dos eleitores dos restantes candidatos que ficaram pelo caminho dizem agora pretender votar no candidato socialista, contra 10,5% que optam por Ventura, mantendo-se outros 10,5% indecisos. Bloco de Esquerda, PCP e Livre têm reforçado publicamente o apoio a Seguro, enquadrando a disputa como um confronto entre um candidato “democrata” e outro que, segundo Isabel Mendes Lopes, do Livre, “disse abertamente que quer acabar com o regime”.

André Ventura, por seu lado, tem procurado recentrar a campanha numa “luta contra o socialismo”, rejeitando o que classifica como “a palhaçada habitual” da esquerda, e contou no Parlamento com o apoio de Paulo Núncio, do CDS-PP, que defendeu que “qualquer candidato que receba o voto popular e que ganhe eleições tem legitimidade democrática”. O CDS anunciou neutralidade formal, embora várias figuras do partido, como Cecília Meireles, Diogo Feio e Francisco Rodrigues dos Santos, tenham declarado voto em Seguro. No total, a segunda volta envolve mais de 2,2 milhões de votos em disputa provenientes dos candidatos eliminados, aos quais se somam os eleitores dos partidos à esquerda, num cenário que, segundo a sondagem, favorece claramente António José Seguro.

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