Portugal entra esta segunda-feira, no início de uma semana marcada por uma circulação atmosférica extremamente dinâmica, com a sucessão de novas depressões atlânticas, vento forte, chuva abundante e episódios de neve. O padrão meteorológico será condicionado por um jato polar anormalmente intenso e deslocado para sul, favorecendo a rápida formação e deslocação de tempestades sobre o Atlântico Norte e a Europa Ocidental.
De acordo com as previsões do portal especializado Tempo.pt, este cenário sinóptico manterá a instabilidade praticamente contínua ao longo dos próximos dias, prolongando o período de tempo adverso que já se faz sentir no país e que teve na depressão Ingrid um dos episódios mais marcantes do mês de janeiro.
Depressão Ingrid marcou o fim de semana e abriu caminho a nova instabilidade
Durante o último fim de semana, a depressão Ingrid esteve no centro das atenções em Portugal continental. Associada a um fluxo de oeste invulgarmente intenso proveniente do Atlântico, a tempestade resultou de um processo de ciclogénese explosiva e transportou uma massa de ar polar marítima, fria e húmida, contrariando o padrão mais ameno normalmente associado a este tipo de circulação.
Entre a tarde de quinta-feira, e o final da manhã de sábado, 24 de janeiro, esta configuração traduziu-se num forte temporal de chuva, vento, neve e agitação marítima. As redes sociais encheram-se de imagens e vídeos que ilustraram os impactos da tempestade em várias regiões do país, com especial incidência no litoral e nas zonas de maior altitude.
Nas horas mais críticas, registaram-se aguaceiros intensos, por vezes acompanhados de granizo e trovoada, bem como episódios de queda de neve associados a uma injeção adicional de ar polar. A agitação marítima agravou-se significativamente, aumentando o risco de galgamentos costeiros, inundações em zonas ribeirinhas e prejuízos em áreas costeiras mais expostas.
Jato polar muito intenso direcionado para a Península Ibérica
Apesar do impacto de Ingrid, os meteorologistas alertam que esta depressão não representa o fim do atual período de instabilidade. Pelo contrário, o padrão atmosférico favorece a continuidade de um verdadeiro “comboio” de tempestades ao longo da semana.
A presença de um anticiclone em latitudes altas continuará a forçar a descida de ar polar sobre o oceano Atlântico, intensificando o gradiente térmico nas latitudes médias. Este contraste térmico acentuado criará condições ideais para o desenvolvimento rápido de depressões violentas, que se formarão e deslocarão com grande rapidez em direção à Europa Ocidental e Meridional.
As consequências desta distribuição das massas de ar traduzem-se num jato polar consideravelmente mais veloz e posicionado em latitudes próximas da Península Ibérica. As previsões indicam velocidades excecionais, que poderão atingir cerca de 300 km/h na camada dos 300 hPa, aproximadamente a 9.000 metros de altitude, junto a Portugal continental, com valores ainda superiores sobre o Atlântico Norte.
Vendavais ganham destaque ao longo da semana
Entre os vários fenómenos previstos, o vento surge como um dos elementos meteorológicos mais relevantes para os próximos dias. Entre 26 de janeiro e 1 de fevereiro, anteveem-se vários episódios de tempo severo, com a passagem sucessiva de depressões a norte do território continental, entre a Terra Nova e as Ilhas Britânicas.
Este posicionamento dos centros das tempestades favorecerá um vento predominante de oeste. Nos períodos mais críticos, as rajadas poderão atingir 70 a 90 km/h na faixa costeira ocidental, com valores que poderão chegar ou ultrapassar os 90 a 100 km/h nas terras altas. Caso alguma das depressões se desloque mais para sul do que o previsto, não está excluída a ocorrência de rajadas ainda mais intensas.
O vento forte deverá afetar não apenas o continente, mas também os arquipélagos dos Açores e da Madeira, com especial incidência no primeiro, onde se prevê uma segunda-feira e uma quarta-feira particularmente instáveis.
Chuva abundante e novos episódios de neve em perspetiva
A manutenção de uma circulação atlântica muito ativa aumentará a frequência e a intensidade da precipitação ao longo da semana. As frentes associadas às várias depressões serão rápidas e vigorosas, atingindo o território continental de forma recorrente, com a próxima tempestade a afetar o país já entre a noite de segunda para terça-feira.
A chuva deverá ser mais intensa e persistente a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e a oeste da Barreira de Condensação. Ainda assim, as frentes conseguirão alcançar regiões habitualmente menos expostas, como o Alentejo e o Algarve, pelo que se prevê precipitação de norte a sul.
Segundo as projeções mais recentes do modelo europeu, Portugal continental poderá destacar-se como o país mais chuvoso da Europa ao longo desta semana, com acumulados que poderão ultrapassar os 300 milímetros em zonas montanhosas do Minho ou na Serra da Freita.
Quanto à neve, estão previstos novos episódios, sobretudo nas Regiões Norte e Centro. As cotas deverão oscilar significativamente com a passagem das frentes, podendo descer para os 700 a 800 metros de altitude entre o final de terça-feira e a quarta-feira, antes de voltarem a subir.
Risco de cheias e impacto nos arquipélagos
A alternância entre períodos de chuva intensa, queda de neve e ciclos de gelo e degelo poderá contribuir para um aumento expressivo dos caudais dos rios. Este cenário eleva o risco de cheias rápidas, sobretudo em zonas ribeirinhas, bem como de saturação dos solos e outros fenómenos associados.
Nos Açores, prevê-se um agravamento significativo das condições meteorológicas, com vento muito forte e períodos de chuva intensa, especialmente na segunda-feira e na quarta-feira. Na Madeira, o tempo será mais variável e menos severo, embora o vento possa soprar forte em alguns momentos, sobretudo nas regiões montanhosas.














