A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como «única preocupação» ajudar os países na luta contra a pandemia de covid-19 e «salvar vidas», disse hoje o director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, após os Estados Unidos terem anunciado a suspensão do financiamento à OMS.
«Não há tempo a perder. A única preocupação da OMS é ajudar todas as pessoas a salvar vidas e acabar com a pandemia de Covid-19», escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus na rede social Twitter, sem mencionar directamente a decisão do Presidente norte-americano Donald Trump.
There is no time to waste. @WHO’s singular focus is on working to serve all people to save lives and stop the #COVID19 pandemic. https://t.co/08xlv7HLC4
— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) April 15, 2020
Também na sequência do corte dos Estados Unidos ao financiamento da OMS, um enviado especial da organização, David Nabarro, referiu esta quarta-feira que é necessário concentrar esforços em derrotar o vírus primeiro e só depois criticar.
«Há um ou dois países que parecem bastante preocupados com as acções que foram tomadas no início da pandemia. Aquilo que lhes pedimos é que se concentrem agora na luta épica e deixem as críticas para mais tarde», referiu.
«Se, no processo decidir declarar que vai cortar o financiamento ou fazer outros comentários sobre a OMS, lembre-se de que não é apenas a OMS que está envolvida, mas também toda a comunidade de saúde pública», defendeu Nabarro
Recorde-se que na terça-feira, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão suspender a contribuição do país para a OMS, justificando a decisão com a «má gestão» da pandemia de Covid-19 pela agência da ONU.
«Ordeno a suspensão do financiamento para a Organização Mundial da Saúde enquanto estiver a ser conduzido um estudo para examinar o papel da OMS na má gestão e ocultação da disseminação do novo coronavírus», disse Donald Trump.
O director-geral da OMS optou também por partilhar na sua conta do Twitter várias mensagens de apoio de celebridades, políticos e especialistas.
«Trabalhei na OMS durante 10 anos na varíola, poliomielite, cegueira, tsunamis (ajuda nas vítimas). Trabalhei com seis directores-gerais. Para mim, Tedros e Gro Brundtland foram os melhores. Existe uma verdadeira campanha política contra Tedros», referiu o epidemiologista norte-americano Larry Brilliant.
I worked for @WHO for 10 years—on smallpox, polio, blindness, tsunami relief. I’ve worked with six DGs. I found @DrTedros and Gro Brundtland the best. There is a very political campaign now against @DrTedros. It is wrong. We need this good man and great public health leader. https://t.co/GBcghcq5Da
— Larry Brilliant MD MPH FACPM 💛💙 (@larrybrilliant) April 10, 2020
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Tedros recorreu ainda ao Twitter para anunciar que teve a oportunidade de falar com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), admitindo ser «inspirador. Estes países já lutaram contra a SARS e a gripe aviaria e agora estão a aproveitar essa experiência para combater o coronavírus».
Yesterday I had the opportunity to speak with @ASEAN +3 leaders along with @mvankerkhove & @DrMikeRyan. It was inspiring. These countries have fought SARS & avian flu in the past. Now they are harnessing this tremendous experience to combat #coronavirus. https://t.co/2W8l3q6xGe
— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) April 15, 2020
O responsável sublinhou ainda que «uma das principais coisas que aprendemos nos últimos meses sobre a Covid-19 é que, quanto mais rápido todos os casos são encontrados, testados, isolados e tratados, mais difícil é a propagação do vírus. Este princípio vai salvar vidas e atenuar o impacto económico da pandemia», pode ler-se numa outra publicação na sua conta do Twitter.
One of the main things we’ve learned in the past months about #COVID19 is that the faster all cases are found, tested, isolated & cared for, the harder we make it for the virus to spread. This principle will save lives & mitigate the economic impact of the pandemic.
— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) April 15, 2020
A pandemia de Covid-19 já provocou quase 129 mil mortos e infectou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.









