Segunda volta das Presidenciais: quem apoia Seguro e quem fica ao lado de Ventura?

A corrida às eleições presidenciais entra agora na fase decisiva, com António José Seguro e André Ventura a disputarem a segunda volta, marcada para 8 de fevereiro, depois de o candidato apoiado pelo PS ter vencido a primeira volta com 31,11% dos votos, à frente do líder do Chega, que obteve 23,52%.

Pedro Gonçalves
Janeiro 19, 2026
14:42

A corrida às eleições presidenciais entra agora na fase decisiva, com António José Seguro e André Ventura a disputarem a segunda volta, marcada para 8 de fevereiro, depois de o candidato apoiado pelo PS ter vencido a primeira volta com 31,11% dos votos, à frente do líder do Chega, que obteve 23,52%. À medida que os resultados se consolidaram, começaram a surgir posicionamentos públicos de candidatos derrotados, dirigentes partidários e figuras políticas de vários quadrantes.

Segundo a Lusa, os primeiros sinais indicam um claro alargamento da base de apoio a António José Seguro, que recolhe declarações favoráveis à esquerda e à direita do espectro político, enquanto André Ventura continua a contar essencialmente com o eleitorado tradicional do Chega.

Esquerda fecha fileiras em torno de António José Seguro
No campo da esquerda, os apoios a António José Seguro sucederam-se ao longo da noite eleitoral e nos dias seguintes. Bloco de Esquerda e Livre, que apresentaram candidatos próprios, manifestaram desde cedo a intenção de apoiar o antigo secretário-geral do PS na segunda volta.

Os co-porta-vozes do Livre, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, anunciaram que o partido deverá formalizar internamente o apoio a Seguro, sublinhando existir uma “certeza clara” de que a decisão será “do lado da democracia e da defesa da Constituição”.

Também o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, revelou que irá propor à Mesa Nacional do partido um apelo ao voto em António José Seguro.

Catarina Martins e Jorge Pinto pedem voto em Seguro
Ainda na noite eleitoral, Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, reconheceu um resultado “muito abaixo” do esperado, mas apelou explicitamente ao voto em Seguro. “Percebo que todos os democratas fiquem preocupados. Devo dizer-lhes que a resposta adequada é votar em António José Seguro na segunda volta”, afirmou.

Também Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre e o menos votado entre os candidatos de esquerda, declarou de forma inequívoca: “Irei votar António José Seguro na segunda volta”.

PCP e PAN apelam ao voto contra Ventura
O candidato do PCP, António Filipe, que terminou em sétimo lugar, considerou prioritário travar o que classificou como os “propósitos reacionários” de André Ventura. “O apelo ao voto no candidato António José Seguro não significa um apoio político ao que defendeu enquanto candidato, mas sim a vontade imperiosa de derrotar André Ventura”, sublinhou.

No mesmo sentido, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou que a presença de Ventura na segunda volta “conduz ao voto” em Seguro.

Também o PAN – Pessoas-Animais-Natureza anunciou, em comunicado, o apoio a António José Seguro, considerando que representa “uma solução de equilíbrio, moderação e estabilidade, com sentido de Estado e compromisso com os valores democráticos”.

Apoios vindos da direita reforçam candidatura de Seguro
Os apoios a António José Seguro estendem-se igualmente à direita. Na RTP, o antigo ministro do PSD Miguel Poiares Maduro afirmou que irá votar em Seguro, defendendo que o candidato socialista é “mais importante” e melhor para o PSD do que André Ventura. “O principal objetivo de André Ventura é substituir o PSD na governação”, advertiu.

Também Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto e ex-ministro de Luís Montenegro, declarou: “Não tenho a mais pequena dúvida em quem vou votar: vou votar no António José Seguro”.

Militantes históricos do PSD como José Eduardo Martins, António Capucho e José Pacheco Pereira anunciaram igualmente que votarão em Seguro.

Iniciativa Liberal dividida e apoios individuais
Do lado da Iniciativa Liberal, o líder parlamentar Mário Amorim Lopes revelou que irá votar em António José Seguro, justificando a decisão com a “ameaça ao Estado de direito” que, no seu entender, o Chega representa. Criticou ainda André Ventura por “invocar três Salazares” e frisou que vota “seguindo a consciência, à frente de interesses pessoais e partidários”.

Também José Manuel Júdice, mandatário de João Cotrim de Figueiredo nestas presidenciais, anunciou que irá votar em Seguro: “Vou votar com total determinação, sem qualquer preocupação, em Seguro”.

O antigo dirigente liberal Rodrigo Saraiva defendeu igualmente que Seguro é “o candidato que quer manter as coisas como estão”, em oposição a quem “quer tudo destruir”. Ainda assim, a presidente da IL, Mariana Leitão, afirmou que o partido não decidiu uma posição oficial, garantindo que irá ouvir a direção e os órgãos internos.

CDS, independentes e antigos candidatos
O ex-líder do CDS-PP Francisco Rodrigues dos Santos anunciou que votará em António José Seguro, sublinhando que “não pode haver hesitações quando estão em causa valores fundacionais e civilizacionais”.

Entre os candidatos derrotados, João Cotrim de Figueiredo afirmou que não irá endossar qualquer voto, considerando que os portugueses serão confrontados com “uma péssima escolha”. Também Marques Mendes, apoiado pelo PSD, recusou declarar apoio, tal como o primeiro-ministro Luís Montenegro, que garantiu que o PSD não se envolverá na campanha.

Henrique Gouveia e Melo considerou “muito precoce” indicar qualquer posição, enquanto Manuel João Vieira também não revelou intenção de voto.

Já André Pestana, em declarações à Lusa, anunciou que votará em António José Seguro, admitindo que, apesar de não se rever no candidato socialista, ter André Ventura como Presidente da República “era o pior que podia acontecer à sociedade portuguesa”. O candidato Humberto Correia, o menos votado, não se pronunciou.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.