O ano de 2026 deverá ser decisivo para as pequenas e médias empresas (PMEs) portuguesas, num contexto marcado por instabilidade económica, aceleração tecnológica e profundas mudanças no mercado de trabalho.
Segundo a Ciphra, especializada em gestão, fiscalidade e recursos humanos, os desafios que se colocam aos empresários exigem visão estratégica, decisões informadas e uma liderança mais preparada.
A consultora identifica cinco áreas críticas que irão marcar a agenda das PMEs em 2026: talento, produtividade, digitalização, sustentabilidade financeira e cultura organizacional.
A escassez de talento qualificado surge como uma das principais preocupações, a par da necessidade de reter equipas num mercado cada vez mais competitivo. “Já não basta gerir recursos; é essencial desenvolver pessoas”, afirma Maria João de Figueiredo, sublinhando a importância de repensar modelos de liderança, políticas de desenvolvimento e propostas de valor para os colaboradores.
A produtividade é outro dos desafios apontados. Muitas PMEs continuam a operar com estruturas pouco eficientes, processos desactualizados e uma utilização reduzida de dados no suporte à decisão. Para a Ciphra, a capacidade de simplificar processos, definir prioridades e medir resultados será determinante para garantir a sustentabilidade dos negócios ao longo de 2026.
A transformação digital assume igualmente um papel incontornável. A adopção de tecnologia, incluindo soluções de automação e inteligência artificial, deixa de ser apenas uma vantagem competitiva para se tornar um factor de sobrevivência. No entanto, a consultora alerta que o impacto da tecnologia depende do desenvolvimento de competências internas, do alinhamento estratégico e de uma cultura organizacional aberta à mudança.
No plano financeiro, a pressão sobre margens, o acesso a financiamento e a gestão do risco continuarão a desafiar empresários e gestores. “Num contexto de maior exigência no financiamento e aumento da exposição ao risco, a sustentabilidade financeira das PMEs está cada vez mais posta à prova. As empresas mais bem preparadas serão aquelas que planearem com rigor, tomarem decisões suportadas por dados fiáveis e investirem em modelos de negócio flexíveis e resilientes”, destaca a CEO da Ciphra.
Por fim, a cultura organizacional assume um papel central num cenário de incerteza. Empresas que comuniquem com clareza, envolvam as equipas e promovam confiança estarão mais bem posicionadas para enfrentar a mudança. Liderança consciente, alinhamento interno e propósito claro deixam de ser conceitos abstractos para se afirmarem como activos estratégicos.
Para a Ciphra, 2026 será menos sobre reagir e mais sobre antecipar. Os empresários que encararem estes desafios como oportunidades de evolução estarão a construir organizações mais fortes, humanas e preparadas para o futuro.














