Portugueses estão a ir menos aos super e hipermercados. Vendas caíram 6% no final de Março

O consumo decresceu na semana em que Portugal entrou oficialmente na fase de mitigação do Covid-19 (transmissão comunitária do vírus), registando-se um decréscimo nas vendas.

Executive Digest

O consumo decresceu na semana em que Portugal entrou oficialmente na fase de mitigação do Covid-19 (transmissão comunitária do vírus), registando-se um decréscimo nas vendas. As vendas nos super e hipermercados diminuíram 6% em termos homólogos no período de 23 a 29 de Março, segundo o barómetro da consultora Nielsen.

A quarta edição do barómetro semanal da Nielsen sobre o impacto da pandemia de Covid-19 no consumo mostra que, apesar da quebra homóloga, as vendas foram na ordem dos 206 milhões de euros, menos 12,5 milhões de euros do que no mesmo período do ano passado. Face à semana anterior, as vendas caíram 12%.

Os produtos alimentares cresceram, contrariando a quebra generalizada verificada no retalho alimentar, enquanto os Frescos apresentam um decréscimo, ainda assim inferior à média do total do mercado.

De 23 a 19 de Março, o destaque nas vendas foi para as bebidas quentes (+38%) e as sobremesas/doces (+30%). «O facto de os portugueses estarem agora confinados nas suas casas altera alguns dos seus hábitos e rotinas diárias. No caso da Alimentação, muitas das refeições passaram a ser confeccionadas e consumidas em casa. Tomar o pequeno-almoço e o lanche em casa e fazer petiscos e sobremesas levou a um forte dinamismo de algumas categorias, que surgem agora no topo dos maiores crescimentos», explica Marta Teotónio Pereira, client consultant senior da Nielsen.

Os portugueses parecem também mais propícios a cozinhar em casa, como demonstra o facto de o retalho alimentar perder neste período mais de 70% em take-away/Cafetaria face à semana homóloga.

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Entre os frescos, apesar dos decréscimos em algumas categorias, há segmentos que evidenciam uma tendência contrária e que, segundo a Nielsen, se destacam pelo forte crescimento devido a dois factores: defender o sistema imunitário e cozinhar mais em casa.

Mantém-se também a preocupação com a higiene, saúde e limpeza do lar, registando-se crescimentos significativos em acessórios de limpeza (+44%), limpeza do lar (+20%) e, entre outras categorias, cuidados de saúde (+9%)

«Com o agravamento da limitação à circulação no período da Páscoa, este ano todos sabemos que foi diferente. Com alguns sinais de menos – menos reuniões familiares, menos saídas dos centros urbanos e menos ofertas – mas também com alguns sinais mais – mais mesas de Páscoa e mais refeições em casa», sublinha Marta Teotónio Pereira.

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Já o e-Commerce continua a registar ganhos em termos de ocasiões de compra (+77%) e de captação de lares (+75%). «Conduzidos pelo contexto actual, os consumidores parecem mais receptivos à facilidade e comodidade de realizarem as suas compras através de plataformas digitais», explica a Nielsen.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já provocou mais de 124 mil mortos e infectou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde indicava 567 óbitos entre 17.448 infecções confirmadas.

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