Alegado esquema em pirâmide com vinhos de luxo deixa centenas de portugueses a zeros

Empresa londrina prometia rendimentos acima de 10% ao ano, mas fechou antes do Natal e investidores nunca viram uma única garrafa

Revista de Imprensa
Janeiro 13, 2026
9:35

Durante mais de uma década, a OenoFuture Limited apresentou-se como uma oportunidade de investimento seguro, prometendo retornos anuais superiores a 10% através da compra e valorização de vinhos finos e whiskys raros. Bastava um investimento mínimo de cinco mil euros.

Milhares de investidores confiaram no modelo, incluindo cerca de 500 portugueses, mas a empresa encerrou atividade poucos dias antes do Natal, deixando para trás prejuízos avultados e sem rasto das garrafas prometidas.

Segundo o ‘Correio da Manhã’, os responsáveis da corretora com sede em Londres desapareceram subitamente, deixaram de responder a contactos e os investidores começaram a perceber que tinham perdido o dinheiro investido, sem sequer terem na posse uma única garrafa de vinho comum.

O que durante anos foi apresentado como um investimento alternativo sólido está agora a ser investigado como um possível esquema em pirâmide, cuja sustentabilidade terá colapsado quando o fluxo de novos investidores começou a diminuir. Já existem queixas apresentadas em Portugal, mas os processos estão a ser encaminhados para as autoridades britânicas, nomeadamente para o departamento de fraudes da polícia inglesa, havendo suspeitas de gestão danosa e outros crimes económicos.

Garrafas existiam apenas no papel

O modelo de negócio da Oeno assentava na alegada compra de vinhos de luxo e destilados raros, aconselhando os clientes a investir em marcas específicas com promessa de valorização futura. No entanto, os investidores nunca tinham contacto físico com os ativos. De acordo com o ‘Correio da Manhã’, a empresa garantia que as garrafas ficavam armazenadas no London City Bond, um grande entreposto junto ao rio Tamisa, funcionando como uma zona franca onde os produtos não pagariam impostos enquanto não fossem vendidos.

Na prática, os investidores lucrariam com a revenda das garrafas, que mudariam de proprietário sem nunca saírem do armazém. O problema surgiu quando alguns clientes tentaram resgatar o dinheiro ou levantar os vinhos que estariam em seu nome e descobriram que não existia qualquer registo individualizado no entreposto.

Mesmos barris vendidos a vários clientes

Os primeiros sinais de alerta surgiram em 2023 e agravaram-se quando o diretor-executivo da empresa, Michael Doerr, abandonou funções após uma quebra de cerca de 7 milhões de euros na faturação face ao ano anterior. A partir desse momento, aumentaram os pedidos de resgate por parte dos investidores, expondo a fragilidade do esquema.

Em vários casos, os lesados concluíram que a empresa não tinha realizado negócios com adegas ou destilarias ou que os volumes anunciados não correspondiam à realidade. Suspeita-se mesmo que o mesmo barril de whisky tenha sido vendido várias vezes a diferentes clientes. As perdas individuais entre os investidores portugueses variam entre cinco mil e 100 mil euros, com poucas expectativas de recuperação do capital investido.

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