Primeira-ministra dinamarquesa alerta que a NATO “acabará” se Trump avançar sobre a Gronelândia

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu esta segunda-feira que a NATO deixará de existir caso os Estados Unidos avancem militarmente para a anexação da Gronelândia, território autónomo dinamarquês no Ártico.

Pedro Gonçalves
Janeiro 5, 2026
18:37

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu esta segunda-feira que a NATO deixará de existir caso os Estados Unidos avancem militarmente para a anexação da Gronelândia, território autónomo dinamarquês no Ártico. Em declarações à estação televisiva dinamarquesa TV2, a chefe do Governo afirmou que uma agressão desse tipo colocaria um ponto final na Aliança Atlântica e na arquitetura de segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Frederiksen sublinhou que as intenções expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, devem ser levadas a sério. “Donald Trump deve ser levado a sério quando diz que quer a Gronelândia”, afirmou, acrescentando, contudo, que uma eventual acção militar teria consequências irreversíveis. “Se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da NATO, então tudo pára, incluindo a própria NATO e, com isso, a segurança que foi estabelecida desde o final da Segunda Guerra Mundial”, declarou.

Donald Trump voltou recentemente a intensificar a retórica em torno da Gronelândia, uma ilha rica em recursos minerais, estrategicamente localizada no Árctico, que goza de larga autonomia mas integra o Reino da Dinamarca e, por essa via, a NATO. O Presidente norte-americano tem defendido repetidamente que o território deveria passar para controlo dos Estados Unidos, classificando essa hipótese como uma “necessidade estratégica”.

No domingo, a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump insistiu que a Gronelândia é essencial para a segurança nacional norte-americana. “Precisamos da Gronelândia por razões de segurança nacional”, afirmou aos jornalistas, sem excluir o recurso à força ou a mecanismos de coerção económica para atingir esse objectivo.

O Presidente norte-americano acrescentou ainda que o tema terá desenvolvimentos a curto prazo. “Vamos tratar da Gronelândia dentro de cerca de dois meses. Vamos falar da Gronelândia daqui a 20 dias”, disse, sem avançar quaisquer detalhes adicionais sobre o que poderá acontecer nesse período.

Temores reforçados após operação dos EUA na Venezuela

As mais recentes declarações de Trump surgem poucos dias depois de os Estados Unidos terem lançado ataques militares na Venezuela e detido o Presidente Nicolás Maduro, numa operação que teve forte impacto internacional. A intervenção norte-americana alimentou receios na Europa de que Washington se possa sentir encorajado a avançar com acções unilaterais semelhantes noutros pontos sensíveis do mapa geopolítico.

No contexto destas preocupações, vários líderes europeus, desde os países nórdicos até ao Reino Unido, manifestaram apoio a Copenhaga e reafirmaram o direito da Gronelândia à autodeterminação, sublinhando que qualquer alteração ao estatuto do território deve respeitar o direito internacional e a vontade da sua população.

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