Em Março, no início dos primeiros 15 dias do estado de emergência em Portugal, 23% dos empresários estimava quebras nos rendimentos superiores a 80%. Hoje, 38% aponta para um impacto desta dimensão nos respectivos negócios, de acordo com um inquérito realizado pela Fixando.
A plataforma de prestação de serviços locais questionou mais de 20 mil profissionais e percebeu que as previsões estão a piorar. Os mais afectados são os trabalhadores por conta própria, já que 57% regista perdas acima dos 80%. No geral, 74% dos inquiridos foi ou conhece alguém que foi alvo de despedimento, lay-off ou redução de horário.
«Em suma, percebemos que os profissionais independentes e pequenos empresários sentem falta de apoio do Estado, na medida em que o acesso a medidas de apoio é demasiadamente burocrático, demorado e inacessível para aqueles que, por algum motivo, têm dívidas para com o próprio Estado», sublinha Alice Nunes, directora de Desenvolvimento de Negócio da Fixando.
Os resultados do segundo inquérito da Fixando chegam ainda acompanhados pelos testemunhos anónimos de alguns empresários. Há quem diga que «o Governo poderia fazer mais força no BCE e tentar dar mais dinheiro às pessoas, em vez de fazer créditos às empresas para poderem manter os funcionários». Este profissional considera que, se o dinheiro for atribuído directamente às pessoas, as empresas ficariam sem encargo nenhum e, quando o mercado regressasse ao normal, poderiam manter os postos de trabalho.
Por outro lado, «sem poder pagar as despesas mínimas (porque com os lay off vão receber muito pouco), quando isto acabar, as pessoas vão ter dívidas e contas atrasadas e não vão voltar a consumir tão cedo», indica o mesmo empresário.
Outro profissional ouvido pela Fixando acrescenta que também é necessário que o Estado apoie trabalhadores em situações precárias e sem contratos de trabalho, como acontece com algumas empregadas domésticas. Seria ainda importante a distribuição de cestas básicas para todos os carenciados, principalmente os idosos que vivem sozinhos e mães solteiras.
Há ainda quem aponte aos impostos: «Para já o que está mais premente e salta à vista são os impostos que as entidades, quer sejam particulares ou empresariais, têm que pagar. Aquelas empresas que não estão a facturar neste período de pandemia deviam ser aliviadas de tais propósitos», indica outro empresário.
Também são criticadas as condições exigidas a quem pede ajuda, sejam empresas ou famílias, e pedidas isenções de cargas fiscais. «Tudo isto é uma farsa, show político, show para as televisões e enganar os portugueses. Caminhamos para a recessão, Depressão mais grave do século e os Governos não sabem o que fazer.»











