A maioria dos portugueses acredita que 2026 será um ano semelhante a 2025 e revela menor pessimismo quanto às finanças pessoais do que relativamente à economia nacional ou ao contexto internacional. Os dados são do Panorama 2026 – uma nova publicação anual do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do Iscte (IPPS-Iscte), que antecipará, em cada mês de janeiro, as tendências que marcarão o ano que se inicia em áreas cruciais para o desenvolvimento do país – que revelam que 56% dos inquiridos esperam continuidade e apenas 25% receiam uma deterioração da situação económica do seu agregado familiar.
O estudo revela quatro tendências transversais: os portugueses estão mais pessimistas sobre o mundo e a política nacional do que sobre a economia; os mais pobres e os mais escolarizados são mais pessimistas do que os mais ricos e os menos instruídos; os inquiridos de esquerda revelam maior pessimismo do que os de direita; e os mais velhos encaram o futuro com mais apreensão do que os jovens.
Para Pedro Adão e Silva, presidente do IPPS-Iscte, «é na esfera pessoal que os inquiridos estão menos pessimistas», com apenas 25% a antecipar um agravamento da sua situação económica. Ainda assim, a maioria acredita que tudo permanecerá igual ao ano anterior.
Para o sociólogo e ex-ministro da Cultura, a perceção generalizada de continuidade é «surpreendente», tendo em conta que 2025 foi marcado por forte instabilidade política, incluindo a dissolução da Assembleia da República e a formação de um parlamento fragmentado, além de um contexto internacional sensível.
O estudo foi conduzido pela GfK Metris entre 7 e 17 de novembro de 2025, com 807 entrevistas válidas e uma margem de erro de 3,5%.














