Os níveis globais de metano na atmosfera atingiram valores muito elevados, devido a um aumento anual quase recorde do gás de efeito estufa, que é 28 vezes mais forte do que o dióxido de carbono, de acordo com o jornal britânico ‘Independent’.
A concentração de metano na atmosfera da Terra atingiu aproximadamente 1.875 partes por milhão em 2019, um valor que se encontra acima das 1.866 partes por milhão registadas no ano anterior, de acordo com dados preliminares recolhidos pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
A confirmar-se ainda este ano, este seria o segundo maior aumento nos níveis de metano nas últimas duas décadas. De ressalvar que a NOAA começou a fazer a recolha dos dados globais de metano em 1983.
Embora o metano permaneça na atmosfera durante apenas alguns anos, consegue reter 28 vezes mais o calor do Sol do que o dióxido de carbono, representando uma ameaça cada vez mais grave para os esforços realizados no combate ao aumento do aquecimento global.
«Estamos em 2020 e não só (os níveis de metano) não estão a baixar, como ainda apresentam uma das taxas de crescimento mais rápidas dos últimos 20 anos», disse à Scientific American Drew Shindell, cientista especializado em clima, da Universidade de Duke.
Já no ano passado, os cientistas tinham alertado para o facto de que níveis de metano mais elevados dificultam ainda mais o cumprimento dos objectivos estabelecidos pelo acordo de Paris sobre as alterações climáticas .
Embora não sabendo ao certo qual a origem dos elevados aumentos anuais, os investigadores da NOAA referiram que em alturas anteriores, os aumentos vinham dos trópicos. Especialistas acreditam que a causa deriva provavelmente das alterações nas zonas húmidas tropicais que expelem o metano, potencialmente causadas por temperaturas mais quentes. Desta forma, à medida que o clima aquece, as comunidades microbianas convertem a matéria orgânica em metano.
Contudo, Rob Jackson, professor de ciências da Universidade de Stanford, disse que parte do aumento do ano passado provavelmente deve-se também a aumentos da agricultura e da utilização de gás natural.







