A descida das taxas de juro associadas à Euribor terminou e 2026 deverá ser marcado por um cenário de estabilidade, com tendência para ligeiros agravamentos, sobretudo no primeiro semestre, num contexto internacional que continua dominado pela incerteza.
“O ciclo de descida das taxas de juro, que se iniciou no início de 2024, terminou”, afirma Nuno Rico, especialista da DECO PROteste em exclusivo à ‘Executive Digest’, sublinhando que já se assiste a um ponto de inflexão claro. “Aliás, como se está a notar, as prestações já voltaram a subir.”
Segundo o responsável, não está em causa um regresso a subidas abruptas como as de 2022. “Para já, nada perspetiva uma subida muito acentuada das taxas de juro. Esse cenário não está em cima da mesa”, assegura.
Nuno Rico enquadra a evolução da Euribor num ambiente internacional particularmente instável. “A única certeza que tivemos ao longo de 2025 foi a incerteza”, afirma, apontando conflitos militares, tensões geopolíticas e a política económica americana como fatores determinantes.
“Continua-se a depositar muita esperança na resolução do conflito na Ucrânia, mas sabemos o quão imprevisível é esse processo”, diz, acrescentando que a política dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump “tem sido errática” e com impacto direto nas economias mundiais.
Para 2026, o cenário mantém-se. “Estamos a fechar o ano e, olhando para o início de 2026, não há qualquer indicador que nos diga que este contexto de incerteza vá desaparecer”, afirma. Ainda assim, antecipa uma evolução contida das taxas: “Tudo aponta para uma estabilização, ainda com uma subida ligeira, pelo menos até ao final do primeiro semestre.”
“É agora que as famílias devem olhar para o crédito”
No plano interno, o especialista da DECO PROteste deixa um aviso claro às famílias portuguesas. “Esta é a altura indicada para olhar para as condições do crédito”, defende, sublinhando que adiar decisões pode sair caro.
“Não é depois da casa roubada que se trancam as portas”, afirma. “Não é quando o mercado está em alta que vamos à procura de soluções para reduzir a fatura do crédito, porque aí as soluções que encontramos, mesmo que pareçam mais baratas, continuam a ser caras.”
Apesar do fim da isenção das comissões de amortização antecipada, Nuno Rico considera que ainda há margem de manobra. “Mesmo assim, quem tiver essa disponibilidade deve olhar para a possibilidade de amortizar e reduzir a exposição à dívida, aproveitando as poupanças acumuladas nos últimos anos.”
Créditos mais elevados aumentam o risco
Outro ponto de preocupação prende-se com o valor dos novos créditos à habitação. “Os dados mostram que os novos contratos têm valores médios cerca de 120% superiores à média do total dos contratos”, refere.
Segundo o especialista, este cenário afeta sobretudo os mais jovens, muitos deles a recorrer à garantia pública. “Estamos a falar de pessoas com rendimentos mais instáveis e com créditos de montantes muito elevados”, alerta.
O impacto de pequenas variações pode ser significativo. “Num crédito de cerca de 200 mil euros, uma subida de 1% na taxa de juro significa mais de 100 euros por mês na prestação”, exemplifica. “E quando muitas famílias já estão a contratar perto do limite da taxa de esforço, qualquer variação, mesmo pequena, pode ter impactos muito relevantes nos orçamentos.”
Para Nuno Rico, este é um dos grandes riscos para o próximo ano. “Para já não vemos uma subida forte dos juros, mas este contexto pode alterar-se rapidamente”, conclui. “E é isso que mais nos preocupa para 2026.”














