Por Érica Pereira | Professional Talent Solutions Director da Randstad Portugal
Entrámos em 2026 e mais um ano que passou a correr! Olhando para trás, viemos de um ano marcado por uma aceleração das tendências da flexibilidade e do impacto cada vez mais tangível da Inteligência Artificial (IA), gerando tanto oportunidades como dilemas curiosos. Competências comportamentais como a empatia, a comunicação, a liderança e a IA tornaram-se mais valiosas do que nunca, especialmente num ambiente de trabalho híbrido e dominado por ferramentas digitais. Dada a rapidez da mudança tecnológica, o investimento em formação contínua para adaptar ou aumentar as competências dos colaboradores, tornou-se uma prioridade máxima para as empresas. Durante este ano verificámos que o mercado de trabalho valorizou a criatividade humana, a ética, a gestão de pessoas e o design de sistemas de IA.
Ainda durante este ano, Portugal atingiu o recorde de empregabilidade com o número de pessoas empregadas a ultrapassar marcos históricos. Impulsionado pela estabilidade económica e pela procura de competências digitais, esta não se traduziu numa solução eficaz para o desemprego de longa duração. Este problema, especialmente no grupo etário dos mais de 55 anos, persiste como um desafio estrutural, com este grupo a registar a maior prevalência de desemprego prolongado, evidenciando uma desconexão entre o ciclo económico positivo e a reintegração de profissionais mais experientes no mercado de trabalho.
Mas o que esperar de 2026? Face à realidade demográfica e à escassez de talento, será imperativa a capacitação interna dos profissionais como motor de competitividade. Investir no desenvolvimento de carreira dos profissionais através do upskilling e do reskilling será um fator-chave para a retenção de talento.
A equidade ganhará maior expressão ao lado da diversidade e da inclusão, tornando-se um novo campo de batalha para a atração e retenção do talento permitindo ainda que os programas formativos não se restrinjam apenas a grupos privilegiados mas que sejam acessíveis a grupos menos representados. A equidade não será vista apenas como um nice to have ético, mas sim como uma ferramenta para mitigar a escassez de talento e identificar e corrigir disparidades salariais entre géneros, raças ou idades, por funções equivalentes através do aumento do número de auditorias às empresas.
Qual será então o papel dos Recursos Humanos (RH)? Esta mudança posiciona os RH como verdadeiros parceiros estratégicos que se deverão focar na cultura, no desenvolvimento das lideranças e na garantia do bem-estar de toda a equipa. A humanização pela tecnologia exige muito cuidado e um forte código de ética na tomada de decisões críticas e na transparência e confiança na utilização de dados. Assim, podemos assumir que a eficiência digital é o novo pré-requisito para que a equipa de RH possa, finalmente, oferecer o seu maior valor: tempo e atenção dedicados a promover a conexão humana e a segurança psicológica, essenciais para o sucesso sustentável de qualquer organização.
Ao identificar estes três pilares estruturais, a Randstad não só se mantém na linha da frente como se posiciona oferecendo ao mercado a visão e as ferramentas necessárias para transformar os desafios da IA e da escassez de talento numa vantagem competitiva e humanizada.
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 237 de Dezembro de 2025














