OMS apela a que as medidas de restrição sejam «levantadas lentamente»

Declarações do director geral da OMS, durante a conferência de imprensa diária desta segunda-feira, que actualiza os últimos desenvolvimentos sobre a Covid-19. 

Simone Silva

O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera que as medidas de restrições «devem ser levantas lentamente e de forma controlada. Não pode acontecer tudo de uma só vez», reforçou durante a conferência de imprensa diária desta segunda-feira, que actualiza os últimos desenvolvimentos sobre a Covid-19.

A OMS anunciou também esta segunda-feira que vai publicar amanhã informações sobre a estratégia que devem seguir os países que começam a levantar as restrições. 

«As informações dos vários países estão a dar-nos uma imagem mais clara sobre este vírus, sobre a forma como ele se comporta, como pará-lo e como tratá-lo. Sabemos que a Covid-19 se espalha rapidamente e sabemos que é mortal — 10 vezes mais mortal do que o vírus responsável pela pandemia de gripe de 2009», reforça ainda Tedros, referindo-se à gripe suína ou gripe A, H1N1, o único vírus que a OMS decretara como pandemia antes da Covid-19.

«Enquanto que a Covid-19 se propaga muito rapidamente, também desacelera muito mais lentamente. Por outras outras palavras, a diminuição da propagação da doença é muito mais lenta do que o seu aumento», continua o director-geral da OMS.

O responsável refere ainda que «as medidas de controlo só podem ser levantadas se estiverem a ser implementadas todas as regras correctas de saúde pública, incluindo uma capacidade significativa de rastreio de contactos», afirma.

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A OMS foi também questionada sobre o uso da hidroxicloroquina, que se encontra a ser testada no estado de Nova Iorque e foi apontada por Trump como uma «mudança» no tratamento da Covid-19, mesmo sabendo que a substância não foi submetida a um rigoroso ensaio clínico.

As autoridades da OMS mostraram-se «ansiosas» pela chegada dos resultados dos ensaios clínicos, que pretendem verificar se a hidroxicloroquina é eficaz no combate ao novo coronavírus, acrescentando que actualmente não existem evidências de que funcione efectivamente.

«Não há evidências empíricas», disse o Dr. Mike Ryan, director executivo do programa de emergências da OMS. «Não há evidências de ensaios clínicos de que (a substância) funcione e os médicos também foram aconselhados a procurar quais os efeitos colaterais da hidroxicloroquina, para garantir que não são prejudiciais», refere.
A OMS alertou ainda para o facto de ser necessária uma vacina, no sentido de interromper totalmente a transmissão da Covid-19.
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