Os levantamentos nas caixas automáticas da rede Multibanco em Portugal, registaram uma queda de 31% em Março, naquele que foi o primeiro mês da pandemia da Covid-19 em Portugal, um facto que reflecte a quebra no consumo provocada pelo surto viral, bem como o receio das pessoas de manusear notas e moedas. Os dados da SIBS para Portugal continental mostram ainda uma descida de 21% nos pagamentos feitos por cartão, comprovando uma redução generalizada nas compras e vendas, de acordo com o ‘CM’.
Em Março realizaram-se 107,5 milhões de operações: 82,3 milhões com cartão e 25,2 milhões em numerário, valores que significam quebras a dois dígitos face ao mesmo mês de 2019. A rede de pagamentos registou, assim, gastos de 5,5 mil milhões de euros no mês anterior. Os pagamentos com cartões pesaram 3,4 mil milhões e a dinheiro os restantes 2,1 mil milhões, ambas quedas acima dos 15%, segundo os dados da SIBS, responsável pela rede multibanco e avançados pelo ‘CM’.
Contudo, embora tenham existido quedas, é de notar que cada operação realizada em Março implicou uma quantia maior. Ou seja, os portugueses estão a comprar menos mas gastam mais em cada deslocação ou aquisição online. O valor médio de cada compra com cartão foi de 41 euros, uma subida de três euros. Nos pagamentos a dinheiro a tendência é mais notória: a média por compra é de 84 euros, mais 14 do que há um ano.
Segundo os dados disponibilizados, existem sectores que estão a beneficiar mais com este cenário de pandemia, como é o caso dos super e hipermercados. Apesar de uma quebra no número de operações em Março, ambos conseguiram encaixar mais dinheiro: 1100 milhões de euros, uma subida de 24%.
Já as farmácias registaram mais compras e o dinheiro gasto foi também de maior montante: 4,8 milhões de operações representaram 135,4 milhões de euros. Os portugueses apostaram também no comércio tradicional, que registou três milhões de operações, num total de 85,3 milhões de euros. Este último valor representa uma subida homóloga de 53%.
Contudo, a tendência de quebra acaba por ser mais alargada. No caso dos restaurantes, que tiveram de fechar a meio de Março, registou-se uma diminuição para metade do número de operações. Foram gastos 169,8 milhões de euros nesse mês, menos 58%.
Os gastos com combustíveis registaram uma queda acima dos 20%, uma vez que a maioria da população tem permanecido em casa. No mês de Março, gastaram-se 169,9 milhões de euros, através de 5,4 milhões de operações nas gasolineiras. Segundo os dados da SIBS, também o próprio Estado está a encaixar menos dinheiro: no último mês houve uma quebra de 30% no número de operações, num total de 277 milhões de euros.
Também os gastos dos turistas sofreram uma quebra de 86% . Os dados da SIBS mostram essa tendência mais acentuada na segunda quinzena de Março, altura da declaração do estado de emergência. A redução faz-se também sentir nos gastos que os portugueses fazem com os seus cartões no estrangeiro: o indicador reduziu quase dois terços.
Os portugueses estão a focar-se nos serviços essenciais. Antes do primeiro caso positivo no País, o sector da distribuição e as farmácias pesavam 44% das compras físicas. Nos primeiros dias de abril, eram já 68%. O mesmo acontece online, em que as compras de alimentos subiram 45%. Somadas com as entregas de comida ao domicílio e as subscrições de entretenimento e cultura, pesam já 54% do total online. Antes da pandemia, não iam além dos 29%.
*notícia corrigida às 15h01









