O ex-Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e ex-ministro socialista Josep Borrell apontou, esta segunda-feira, que a administração de Donald Trump não pode ser considerada uma aliada da Europa após o plano de paz para a Ucrânia elaborado às suas costas, que prevê grandes concessões à Rússia.
“Com o plano de 28 pontos para acabar com a guerra na Ucrânia, os Estados Unidos de Trump não podem mais ser considerados um aliado da Europa, que sequer é consultada sobre questões que afetam a sua segurança”, criticou o ex-chefe da diplomacia europeia numa mensagem nas redes sociais.
A este respeito, exigiu que a Europa “aceite e reaja” a esta realidade, que representa uma “mudança” na política de Washington, a qual ele atribui ao fracasso da política europeia de “apaziguamento”, em relação às concessões que a UE permitiu em seu acordo comercial com os EUA ou em questões militares dentro da UE.
“O plano de Trump para acabar com a guerra na Ucrânia demonstra o fracasso da política de apaziguamento adotada pela UE”, lamentou, após indicar que “ceder” às exigências de Trump em questões como “gastos militares, tarifas e desregulamentação digital, impostos sobre multinacionais e fornecimento de energia” “não serviu para nada”.
Dessa forma, Borrell criticou o plano de Washington para encerrar a guerra iniciada pela Rússia, que, segundo ele, foi elaborado às escondidas dos ucranianos e europeus. Nesta segunda-feira, numa reunião em Angola, líderes europeus observaram que os contactos iniciais entre ucranianos e americanos representaram passos “na direção certa”.
No entanto, insistiram que muitas questões ainda precisam ser resolvidas e que a União Europeia terá a palavra final em assuntos como a aplicação de sanções contra Moscovo, o uso de ativos russos congelados ou a adesão da Ucrânia à UE ou à NATO.














