Principal responsável pela segurança da Ucrânia rejeita acordo com plano de paz de Trump

O principal responsável pela segurança da Ucrânia, Rustem Umerov, negou esta sexta-feira ter concordado com os termos de um plano de paz apresentado pela administração do presidente norte-americano Donald Trump, enquanto líderes europeus procuram respostas urgentes a um projeto que aparenta apoiar muitas das exigências da Rússia na guerra em curso.

Pedro Gonçalves
Novembro 21, 2025
12:40

O principal responsável pela segurança da Ucrânia, Rustem Umerov, negou esta sexta-feira ter concordado com os termos de um plano de paz apresentado pela administração do presidente norte-americano Donald Trump, enquanto líderes europeus procuram respostas urgentes a um projeto que aparenta apoiar muitas das exigências da Rússia na guerra em curso.

O plano norte-americano, composto por 28 pontos, exigiria que a Ucrânia cedesse territórios adicionais, reduzisse o tamanho das suas forças armadas e abandonasse permanentemente a esperança de integrar a aliança militar da NATO.

Segundo declarações publicadas no Telegram, Umerov, antigo ministro da Defesa e atual secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, afirmou: “Durante a minha visita aos Estados Unidos, o meu papel foi técnico — organizar reuniões e preparar o diálogo. Não forneci avaliações nem, muito menos, aprovações de qualquer ponto. Isto não está dentro da minha autoridade e não corresponde ao procedimento.”

Após receber uma delegação norte-americana em Kiev, Umerov garantiu que a Ucrânia não aceitaria um plano que violasse a sua soberania.

O Presidente Volodymyr Zelensky, que se reuniu com uma delegação do Exército dos EUA na quinta-feira, confirmou ter recebido o plano, sem comentar diretamente o seu conteúdo. “As nossas equipas — da Ucrânia e dos EUA — irão trabalhar nos pontos do plano para pôr fim à guerra. Estamos prontos para um trabalho construtivo, honesto e célere”, afirmou.

O Kremlin, por sua vez, declarou que a Rússia não recebeu qualquer comunicação oficial sobre o plano e instou Kiev a tomar uma decisão responsável imediatamente, segundo o porta-voz Dmitry Peskov.

Uma cópia do plano revista pela Reuters revela que os termos incluem exigências anteriormente rejeitadas pelos ucranianos como equivalentes a uma rendição. Entre as principais disposições destacam-se:

  • Retirada da Ucrânia de territórios ainda controlados no leste do país, enquanto a Rússia cederia apenas pequenas áreas ocupadas noutras regiões;
  • Proibição permanente da Ucrânia de integrar a NATO, com forças armadas limitadas a 600 mil militares;
  • Levantamento gradual das sanções contra a Rússia e reintegração de Moscovo no G8;
  • Criação de um fundo de investimento com ativos russos congelados, com parte dos lucros destinados aos EUA;
  • Garantias de segurança à Ucrânia mencionadas apenas de forma genérica:
  • “A Ucrânia receberá garantias de segurança robustas.”

Reação europeia

Líderes europeus manifestaram preocupação por não terem sido consultados previamente sobre o plano. A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, declarou: “Sempre dissemos que, para qualquer plano funcionar, é necessário que a Ucrânia e os europeus estejam envolvidos.”

Ao mesmo tempo, a Ucrânia depende exclusivamente do financiamento europeu para defesa, após Trump ter cancelado o apoio financeiro norte-americano.

A guerra aproxima-se do seu quarto inverno, com tropas russas a ocupar quase um quinto do território ucraniano e avançando lentamente ao longo de 1.200 km de frente, enquanto bombardearam sistemas energéticos ucranianos.

A Rússia afirma ter conquistado Kupiansk, no nordeste da Ucrânia, e a maior parte de Pokrovsk, no leste, as primeiras vitórias significativas em quase dois anos. Kiev nega a perda de controlo sobre estas cidades, mas admite que o avanço russo continua.

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