O plano de paz de 28 pontos desenvolvido por enviados dos EUA e da Rússia prevê que Moscovo obtenha o controlo do leste de Donbass em troca do pagamento de uma “taxa de arrendamento”, avançou esta quinta-feira o ‘The Telegraph’. Segundo o jornal britânico, a Ucrânia manteria a propriedade legal dos territórios, numa solução apresentada como alternativa a qualquer transferência formal de soberania.
De acordo com informações citadas pelo ‘Axios’, o plano estipula ainda que as forças ucranianas desmilitarizem as zonas de Donbass que permanecem fora do controlo russo, transformando-as numa área tampão. Em contrapartida, Moscovo poderia aceitar concessões nas regiões parcialmente ocupadas de Zaporizhia e Kherson. O ‘Financial Times’ indica que o documento inclui também a redução das forças armadas ucranianas, limitações no acesso a armamento ocidental e a renúncia a acolher tropas estrangeiras.
O ‘The Telegraph’ nota que a ideia de “arrendamento” reflete a abordagem empresarial de Donald Trump, sugerindo que a Rússia compensaria a Ucrânia por perdas numa região rica em recursos minerais. Qualquer cedência territorial permanente exigiria, segundo a Constituição ucraniana, um referendo nacional, considerado improvável de ser aprovado. A figura contratual seria, assim, apresentada como um mecanismo alternativo.
Kiev e aliados distanciam-se e falam em manobra russa
Fontes citadas pela ‘NBC’ referem que a Ucrânia não participou na elaboração do plano, tendo apenas sido informada dos seus pontos essenciais. Uma fonte próxima da liderança ucraniana descreveu o momento da divulgação — em plena crise política em Kiev — como uma tentativa do Kremlin de explorar vulnerabilidades percecionadas no Governo de Volodymyr Zelensky.
O ‘Kyiv Post’ cita um alto responsável americano que classifica o plano como uma “fantasia maximalista do Kremlin”, interpretada em Washington como mais uma lista de pretensões destinada a testar a determinação ocidental.
Ceticismo generalizado no Ocidente e rejeição pública
Entre os responsáveis ligados à administração Trump, tem prevalecido o silêncio, com recusa em confirmar ou desmentir a existência de um documento deste tipo. Diplomatas europeus descreveram os relatos como uma nova tentativa de Moscovo de criar pressão para um acordo que Kiev não aceitaria e que os seus aliados não apoiariam, classificando o episódio como “um truque de salão russo familiar”.
Nas redes sociais, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o fim de um conflito desta dimensão exige “uma ampla troca de ideias sérias e realistas”, numa formulação interpretada como sinal de que Washington está a explorar diferentes cenários, mesmo rejeitando publicamente as versões mais favoráveis a Moscovo que circulam online.



















