Portugal está no top 40 dos maiores exércitos do mundo: ranking global destaca grandes potências, as surpresas e os “tigres de papel”

Estados Unidos lideram novamente o ranking, com um índice de 0,0744, muito afastados de qualquer concorrente. Rússia e China surgem empatadas na segunda posição, ambas com 0,0788, espelhando a crescente rivalidade geopolítica e a militarização acelerada de ambos os países

Francisco Laranjeira

O ‘Global Firepower’ divulgou a edição de 2025 do PowerIndex, a avaliação anual do poder militar convencional. Sem surpresa, os EUA, Rússia e China mantêm a liderança global, mas o novo ranking volta a destacar evoluções inesperadas, tanto de pequenos países que ascendem ao top 20 como de nações cuja força real é inferior à reputação. Portugal surge na 39ª posição, com um índice de 0,6856, reforçando a sua presença no grupo intermédio das potências militares.

Portugal situa-se na metade superior da tabela, numa lista que inclui 145 países avaliados. De acordo com o ‘Global Firepower’, apenas três países europeus integram o top 10 mundial — Reino Unido, França e Itália — refletindo a forte concentração de poder militar fora da Europa. A Turquia, que mantém uma posição estratégica entre Europa e Ásia, surge também entre os dez primeiros.



O lugar português no ranking coloca-o atrás de Noruega e Países Baixos, mas à frente de África do Sul, Colômbia e Filipinas. Para um país de dimensão média e recursos limitados, o resultado reflete sobretudo o peso relativo das capacidades tecnológicas, dos efetivos e da logística no modelo utilizado pela plataforma, que inclui bónus e penalizações consoante o perfil estratégico de cada nação.

Superpotências mantêm domínio absoluto

Os Estados Unidos lideram novamente o ranking, com um índice de 0,0744, muito afastados de qualquer concorrente. Rússia e China surgem empatadas na segunda posição, ambas com 0,0788, espelhando a crescente rivalidade geopolítica e a militarização acelerada de ambos os países.

A Índia permanece como a quarta maior potência militar (0,1184), seguida da Coreia do Sul, Reino Unido, França, Japão, Turquia e Itália. Trata-se de um top 10 dominado por economias tecnológicas avançadas e por países com grande capacidade industrial e logística.

Quem surpreende: ascensões inesperadas e “tigres de papel”

A edição de 2025 inclui movimentos que desafiam perceções comuns. A Coreia do Norte — habitualmente associada ao seu programa nuclear — surge apenas na 34ª posição, com 0,6016, o que a torna um dos “tigres de papel” apontados por analistas, com poderio teórico elevado mas limitações severas em efetivos, logística e tecnologia convencional.

No extremo oposto, países como Turquia, Indonésia e Egito consolidam a presença entre as 20 forças militares mais relevantes, impulsionados por efetivos numerosos e arsenais diversificados.

Israel e Irão mantêm um equilíbrio tenso, ocupando as posições 15 e 16, reflexo de uma rivalidade antiga marcada por capacidades semelhantes, ainda que a pontuação final diferencie ambos.

Conflitos que moldam o ranking

A guerra na Ucrânia continua a marcar o panorama militar global. A Ucrânia ocupa a 20ª posição, apesar de enfrentar há mais de três anos a Rússia, uma das três potências cimeiras. O caso ilustra o contraste entre o poder militar absoluto e a resiliência operacional.

No Indo-Pacífico, o confronto latente entre China e Taiwan mantém-se visível na tabela: enquanto Pequim figura no 2º lugar, Taiwan aparece na 22ª posição, exemplo clássico de um “David” posicionado perante um “Golias”.

A região do Hindustão continua volátil: a Índia, quarta maior potência mundial, mede forças com o Paquistão, que surge na 12ª posição, num equilíbrio que permanece frágil e imprevisível.

Como funciona o índice: 60 variáveis para medir o poder militar

O modelo do ‘Global Firepower’ baseia-se em mais de 60 parâmetros: quantidade e qualidade das unidades militares, orçamento, capacidade logística, geografia, recursos como petróleo e carvão, e ainda penalizações aplicadas a países pequenos que dependem fortemente de importações estratégicas.

O índice exclui capacidades nucleares — oficialmente detidas por apenas nove países — e foca-se exclusivamente no poder convencional, incluindo meios terrestres, navais e aéreos.

Apesar do alcance do ranking, especialistas em defesa sublinham limites importantes. A natureza sigilosa das operações militares, a evolução das guerras híbridas e a crescente relevância do ciberespaço tornam difícil traduzir o poder militar real numa métrica unificada. Ainda assim, a classificação oferece uma radiografia útil do equilíbrio convencional entre Estados e das tendências que emergem ano após ano.

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