Cabaz alimentar: Preços da polpa de tomate, alface, atum e sardinha disparam mais de 10% numa semana

Os preços da polpa de tomate e da alface frisada foram os que mais aumentaram na última semana, num momento em que os consumidores continuam a enfrentar fortes oscilações nos produtos alimentares.

Pedro Gonçalves
Novembro 20, 2025
10:29

Os preços da polpa de tomate e da alface frisada foram os que mais aumentaram na última semana, num momento em que os consumidores continuam a enfrentar fortes oscilações nos produtos alimentares. Segundo dados da DECO PROteste, divulgados esta quarta-feira, o cabaz alimentar monitorizado pela associação está hoje 7,35 euros mais caro do que na primeira semana de janeiro de 2025.

A polpa de tomate foi o produto com o maior aumento percentual: subiu 23 cêntimos, o que representa um acréscimo de 18%, passando a custar 1,48 euros por embalagem de 500 gramas. Também a alface frisada registou uma subida expressiva — 37 cêntimos por quilo, o equivalente a 17% — fixando-se agora nos 2,51 euros.

Apesar destas duas subidas significativas, o custo global do cabaz alimentar baixou ligeiramente entre 12 e 19 de novembro. A descida foi de 1,44 euros, um recuo de 0,59%, o que colocou o preço total em 243,52 euros nesta semana. Ainda assim, desde o início do ano o aumento acumulado mantém-se evidente: mais 3,11%, o equivalente a 7,35 euros adicionais. Desde que a DECO PROteste começou a acompanhar a evolução dos preços, em janeiro de 2022, o cabaz subiu 55,82 euros, uma valorização de 29,74%.

Como é definido o valor do cabaz alimentar
A monitorização da DECO PROteste acompanha, todas as quartas-feiras, o custo total de 63 bens essenciais, com base no preço recolhido no dia anterior nos principais supermercados com loja online. Primeiro calcula-se o preço médio de cada produto em todas as lojas onde está disponível; depois, a soma desses valores determina o custo total do cabaz para essa data.

Produtos que mais subiram na última semana
Além da polpa de tomate e da alface frisada, outros alimentos registaram aumentos relevantes entre 12 e 19 de novembro. Os cereais integrais encareceram 14%, o atum posta em azeite subiu 13% e o carapau avançou 11%. Estes aumentos semanais mostram que o impacto da inflação alimentar permanece disseminado por vários setores.

Produtos que mais subiram desde o início do ano
Comparando os preços atuais com os da primeira semana de janeiro de 2025, destacam-se subidas expressivas nos ovos (mais 32%), no esparguete (mais 22%) e nos brócolos (mais 18%). Estes itens representam algumas das maiores pressões acumuladas na despesa alimentar das famílias portuguesas ao longo do ano.

A evolução dos preços desde 2022
Quando analisada a evolução desde o início desta monitorização, em janeiro de 2022, os produtos com maiores aumentos percentuais são a carne de novilho para cozer (mais 97%), os ovos (mais 86%) e os cereais integrais (mais 72%). Estes números refletem três anos consecutivos de fortes tensões no setor agroalimentar.

Três anos de pressão: da guerra à reposição do IVA
O disparo dos preços começou em 2022, com a invasão russa da Ucrânia, país responsável por grande parte dos cereais consumidos na União Europeia. A guerra agravou um cenário já marcado pelos efeitos da pandemia e por condições climatéricas adversas, reduzindo a oferta de matérias-primas e aumentando os custos de produção — desde fertilizantes a energia. Isso refletiu-se rapidamente no preço final de carne, hortofrutícolas, cereais ou óleos vegetais.

Para mitigar o impacto, o Governo isentou de IVA mais de 40 alimentos essenciais a partir de abril de 2023. A medida conteve temporariamente as subidas, mas o efeito diluiu-se nos meses seguintes e os preços voltaram a acelerar. Em 2024, já com a reposição do imposto, produtos como o azeite virgem extra atingiram valores históricos. Este ano, o destaque tem ido para as subidas nos ovos, no café torrado moído e no chocolate.

As subidas continuadas dos preços alimentares contribuíram para níveis de inflação sem precedentes em 2022. O Instituto Nacional de Estatística reportou, no final de 2024, uma taxa média anual de 2,4%, inferior aos 4,3% de 2023 e aos 7,8% registados em 2022. Em abril de 2025, contudo, a inflação voltou a subir, antes de abrandar por dois meses consecutivos, fixando-se em 2,3% em outubro.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.