Nelson Pereira, responsável pela equipa da Covid-19, da Urgência do Hospital de S. João, o estabelecimento hospitalar que tratou até agora o maior número de doentes com o vírus, diz que a situação em Portugal está muito estabilizada, sendo a primeira vez que desce o número de doentes nos cuidados intensivos, tal como acontece no seu hospital que tem esta semana menos 10% a 15% de doentes (55 no total), um facto que considera «muito positivo», afirma citado pela ‘RTP’.
Ainda assim Nelson Pereira considera que ter 55 doentes nos cuidados intensivos de um hospital «não é normal», sendo um número bastante elevado.
Contudo, o responsável refere que o estabelecimento hospitalar já se está a preparar para o futuro, garantindo que «é inequívoco que vai haver uma segunda vaga», afirma, sublinhando que é necessário existir «muita cautela» na normalização da vida, sempre mantendo a consciência que a economia e a vida têm de continuar e regressar gradualmente ao normal.
Nelson Pereira considera que se deve preparar de imediato a segunda vaga de infecções, uma vez que o tempo de internamento em cuidados intensivos desta doença é muito longo, sendo que alguns dos primeiros doentes ainda se encontram internados. «Uma segunda vaga enxertada na primeira, seria um problema», afirma, acrescentando que «Nunca estivemos numa situação de ruptura e cremos crer que isso não vai acontecer nos próximos tempos».
O responsável do S. João classifica a agressividade da pandemia da Covid-19 e os respectivos sintomas, como uma «roleta russa», garantindo que é um vírus com muitas capas», pelo que pessoas que aparentemente não têm sintomas da doença, podem estar infectados.
Nelson Pereira refere ainda que é mais demorado criar médicos com formação nos cuidados intensivos do que construir ventiladores e isso é essencial na organização da resposta dos hospitais, reconhecendo que podem ser chamados outros médicos aos cuidados intensivos, desde que tenham a supervisão de especialistas. «A medicina intensiva é uma área do conhecimento médico extremamente exigente», refere.
«É necessário capacitar os hospitais com unidades de cuidados intensivos, mas também criar respostas internas para que o nível de cuidados que se presta não diminua», defende o responsável em entrevista à RTP.







