A cibersegurança é o novo ativo das PME

Opinião de Margarida Loureiro, Presidente da JUNITEC – Júnior Empresa do Instituto Superior Técnico

André Manuel Mendes
Novembro 17, 2025
11:19

Por Margarida Loureiro, Presidente da JUNITEC – Júnior Empresa do Instituto Superior Técnico

Quando o assunto é cibersegurança, muitas pequenas e médias empresas (PME) ainda encaram a proteção digital como um desafio distante, reservado às grandes empresas. No entanto, essa perceção está longe da realidade. Em Portugal, as PME representam 99,9% das empresas não financeiras e asseguram 76% do emprego, de acordo com o relatório SME Performance Review da Comissão Europeia, de 2025.



As PME são, portanto, a espinha dorsal da economia nacional. Deste modo, a defesa digital tornou-se numa condição estratégica para a sobrevivência de qualquer negócio. No cenário atual, cada dado e clique transformam-se num potencial risco. E, quando o alvo é definido pela sua vulnerabilidade, a dimensão da empresa deixa de importar.

Um estudo da Marsh, em parceria com a Federação das Associações Europeias de Gestão de Risco (FERMA), revela que as PME na União Europeia apresentam níveis de controlo de cibersegurança 15% inferiores aos das grandes organizações. Por outro lado, enquanto 91% das grandes empresas exigem e implementam autenticação multifatorial para acessos remotos, essa prática desce para 75% entre as PME. Além disso, apenas 40% das PME realizam testes e exercícios de resposta a incidentes, em contraste com 61% das empresas de maior dimensão. Estes números traduzem fragilidades que não escapam à atenção dos cibercriminosos.

De facto, segundo o relatório Cyber Security Resilience, da Allianz Commercial, divulgado em setembro deste ano, os grupos de ransomware estão a redirecionar os seus ataques para as PME. À medida que as grandes corporações reforçam os seus sistemas de proteção, os cibercriminosos encontraram nas PME um terreno mais vulnerável. Esta mudança não é fruto do acaso, porém o resultado direto da disparidade de recursos, de competências e de preparação. Muitas PME não dispõem de equipas técnicas dedicadas, nem de planos de contingência eficazes, o que as torna presas fáceis num ambiente digital cada vez mais hostil.

Reconhecer o risco é o primeiro passo para a ação. Para as PME, isto implica identificar quais os dados e sistemas mais críticos e definir prioridades claras de proteção. Este mapeamento interno permite concentrar esforços de forma estratégica e evitar desperdícios. Sem um diagnóstico, qualquer tentativa de reforçar a segurança equivale a erguer uma estrutura sobre alicerces frágeis.

Após o diagnóstico, devem ser aplicadas medidas básicas, mas robustas. A autenticação multifatorial, as cópias de segurança externas e a atualização regular dos sistemas são exemplos de boas práticas que podem reduzir significativamente o risco de ataque. Em muitos casos, a ausência destes passos elementares abre a porta aos incidentes mais graves.

Paralelamente, outra solução passa por procurar apoio especializado. O mercado nacional de cibersegurança está em expansão e disponibiliza, atualmente, serviços adaptados à realidade das PME. Modelos de consultoria ou outsourcing parcial são opções viáveis sem comprometer a sustentabilidade financeira. A combinação entre esforço interno e apoio técnico externo pode ser o equilíbrio para muitas organizações que não têm capacidade para manter equipas próprias.

A cibersegurança deve ser enfrentada como uma causa comum e não como um problema individual. Devem promover-se programas de sensibilização que aproximem o conhecimento técnico das necessidades concretas das PME. A cibersegurança é, acima de tudo, um investimento em confiança. E a confiança é o ativo mais valioso que uma empresa pode ter.

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