Pico de Covid-19 já passou em Portugal? Está «absolutamente fora de questão», diz especialista

Um matemático que tem acompanhado os dados da evolução do surto do novo coronavírus em Portugal, rejeitou que o país já tenha passado o pico do número de infectados.

Ana Rita Rebelo

Jorge Buescu, matemático que tem acompanhado os dados da evolução do surto do novo coronavírus em Portugal, rejeitou que o país já tenha passado o pico do número de infectados. Está «absolutamente fora de questão», disse em declarações à rádio “Observador”.

«No momento em que nós passamos por um pico dos novos infectados, o número de recuperados é maior do que os novos infectados, baixando portanto o total de infectados activos», explicou o matemático, acrescentando que, se houver um pico de infectados novos, significa que o número de recuperados tem de passar a ser maior do que o número de novos infectados».

Como constata Buescu, o que tem acontecido é exactamente o contrário. «Qualquer pessoa que pegue nos boletins da DGS vê que nós vamos passar por um pico, mas vai ser na segunda quinzena de Abril», argumenta. «Nós no fim de Março passámos por um ponto de inflexão. O crescimento deixou de ser exponencial para ser mais lento», apontou ainda.

«Neste momento, e continuando a fazer aquilo que estamos a fazer com muita consciência e sem relaxar nada, estamos abaixo do ponto de ruptura dos sistemas de saúde. A continuar assim, nós conseguimos não seguir o caminho de Espanha e de Itália», defendeu, afirmando que «o pico vai ser atingido na segunda quinzena de Abril».

Jorge Buescu disse mesmo que seria «um disparate» proceder agora a medidas de alívio das restrições impostas, nomeadamente reabrindo as escolas. Seria, na sua opinião, um «caminho sem retorno».

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Esta quinta-feira, a directora-geral da Saúde reconheceu, no entanto, que Portugal pode já estar no pico da curva epidemiológica da Covid-19.

Na conferência de imprensa diária de actualização da situação da Covid-19, Graça Freitas explicou que há duas curvas: uma com os dados conhecidos, ou seja, e a segunda com projecções de cientistas e académicos. E é com base nessas duas curvas que é feita uma estimativa do «pico ou planalto».

«Nos últimos dias, tem havido uma certa estabilidade nas duas curvas, o que pode indicar o planalto. Mas isto não é um dado garantido, teremos de esperar mais uns dias. E se abrandarmos determinadas medidas, podemos ter um segundo pico ou planalto e uma segunda ou terceira onda. Temos de olhar para estes dados com muita cautela e precaução. Se abrandarmos as medidas que levaram ao abrandamento da curva, ela pode voltar a subir. Apesar de tudo, reconhecemos que tem havido uma estabilidade», admitiu.

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O país regista já 380 vítimas mortais devido à Covid-19, mais 35 do que ontem, e 13.141 infectados, mais 699, revelam os dados do boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quarta-feira.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado na passada quinta-feira na Assembleia da República.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou cerca de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 80 mil.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com cerca de 735 mil infectados e mais de 57 mil mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, contabilizando 17.127 óbitos em 135.586 casos confirmados até terça-feira.

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