OMS: «Não podemos relaxar nas medidas, temos de duplicar os esforços»

O anúncio foi feito pelo representante da Organização Mundial da Saúde na Europa, Hans Kluge, que abordou também a situação da pandemia de Covid-19 no continente europeu.

Simone Silva

No decorrer da próxima semana a Organização Mundial de Saúde vai reunir-se com os ministros da saúde dos 53 países europeus «para partilhar experiências», de acordo com o anúncio feito pelo representante da OMS na Europa, Hans Kluge, citado pelo ‘El País’.

«Neste momento não podemos relaxar nas medidas, temos de duplicar os esforços. Peço a todos os países que reforcem as acções de protecção dos profissionais de saúde», apelou o representante num briefing realizado nesta quarta-feira.

A delegação da OMS na Europa falou também sobre a situação no continente e apontou para situações muito diferentes vividas entre os vários países, destacando a descida de casos em Espanha e Itália, que na sua opinião «não representa uma vitória», mas notando uma subida em outros territórios tais como a Bélgica ou a Suécia.

Em Itália e Espanha, «15 a 20 dias» após a aplicação de restrições severas à mobilidade das pessoas, com a imposição de estado de emergência e confinamento das pessoas em casa, «o ritmo de aumento de novos casos parece ter abrandado», mas trata-se de «um progresso frágil», afirma.

Sublinhando que o continente tem «cerca de metade de todos os casos globais», Kluge destacou que seis dos dez países mais afectados pela pandemia encontram-se no continente europeu, sendo eles: Espanha, Itália, Alemanha, França, Reino Unido e Suíça. «Também estamos a assistir a níveis de mortalidade muito maiores do que o previsto em alguns países. Este aumento inesperado é sobretudo nos casos de pessoas com mais de 65 anos e é uma característica da Covid-19 que tem sido registada desde meados de Março», refere o representante.

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Kluhe revelou ainda que os números actualizados de hoje em 53 países e territórios da Europa são de 687.236 casos confirmados e 52.824 mortes.

Essencial continua a ser a protecção da «força de trabalho do sector da saúde», treinando-a e garantindo que tem equipamentos de protecção individual e o ataque «ao motor da pandemia», testando, isolando casos suspeitos ou confirmados e seguindo a rede de contactos das pessoas infectadas

Por outro lado, a OMS está preocupada com «um aumento dramático da propagação do vírus» na Turquia, com 60% dos casos registados no país provenientes de Istambul. «Os casos em Israel, Ucrânia, Bélgica e Noruega estão a aumentar. E há uma subida (de casos) recente na Suécia», alerta Kluge.

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Hans Kluge apelou a que «ninguém fique para trás» no esforço para conter o avanço da pandemia, destacando populações vulneráveis como os sem-abrigo, a quem é preciso garantir «testes adequados, acesso a alimentação e a alojamento seguro».

O consultor da OMS Bruce Aylward, que esteve em missão em Espanha, assinalou a velocidade com que o novo coronavírus se espalhou naquele país, passando em cerca de duas semanas de um a dois novos casos por dia (no fim de Fevereiro) para mais de 500 casos por dia.

Depois de contactar com as equipas médicas que atacam a doença em Espanha, Bruce Aylward notou ainda como a população activa é duramente atingida pela Covid-19, apesar de a letalidade se verificar mais nos idosos.

Bruce Aylward afirmou que em Espanha “63% das pessoas colocadas em cuidados intensivos tem menos de 69 anos”.

«É errado pensar [na covid-19] como apenas uma pneumonia», destacou, indicando que doentes que passaram três semanas em unidades de cuidados intensivos «necessitam de um longo período de reabilitação» porque a covid-19 «tem um impacto extraordinário no corpo».

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Actualmente a Europa conta com 687 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus e cerca de 52 mil vítimas mortais. No mundo a pandemia chegou a 1441.128 pessoas, causando já 82.220 mortes.

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