O ministro holandês das Finanças, Wopke Hoekstra, que recentemente defendeu que a Comissão Europeia devia investigar países como Espanha e Itália, que dizem não ter almofada financeira para lidar com o impacto da crise provocada pelo Covid-19, admitiu esta quarta-feira que «é importante que a Europa disponibilize fundos».
Because of the current crisis we have to make an exception and the ESM can be used unconditionally to cover medical costs. For the long term economic support we think it’s sensible to combine the use of the ESM with certain economic conditions.
— Wopke Hoekstra (@WBHoekstra) April 8, 2020
«Reunião de Eurogrupo muito longa, intensa e também construtiva sobre a crise do coronavírus que nos afecta a todos. Estamos a lidar principalmente com uma crise de saúde e é importante que a Europa disponibilize fundos. Também concordamos com o apoio do Banco Europeu de Investimento às empresas e empreendedores em dificuldades», escreveu no Twitter.
E salientou: «Devido à actual crise, precisamos de abrir uma excepção e o Mecanismo Europeu de Estabilidade deverá ser utilizado incondicionalmente para cobrir custos médicos. Para o apoio económico de longo prazo, achamos que seria sensato acordar a utilização do Mecanismo Europeu de Estabilidade mediante certas condições económicas. Continuaremos as discussões sobre como lidar com esta crise».
Porém, insiste que a «Holanda é e mantém-se contra a ideia dos Eurobonds». «Pensamos que tal criaria mais problemas do que soluções para a União Europeia. Teríamos de assegurar as dívidas de outros países, o que não é razoável. A maior parte do Eurogrupo não apoia esta solução e é contra os Eurobonds», argumentou o governante.
Na última reunião do Eurogrupo, a 26 de Março, o ministro das Finanças holandês sugeriu uma investigação a Espanha depois de Madrid ter afirmado que não tinha margem orçamental para responder à crise provocada pelo novo coronavírus sem o apoio financeiro da União Europeia. O primeiro-ministro português saiu em defesa de Espanha: «Esse discurso é repugnante». «Ninguém está disponível para voltar a ouvir ministros das Finanças holandeses como aqueles que já ouvimos em 2008, 2009, 2010 e anos consecutivos», disse o António Costa.
«Essa mesquinhez recorrente mina completamente o espírito da União Europeia e ameaça o seu futuro. Se a União Europeia quer sobreviver é inaceitável que um responsável político, seja de que pais for, possa dar respostas dessa natureza perante uma pandemia como aquela que estamos a viver, foi à custa disto que todos percebemos que insuportável trabalhar com o senhor [Jeroen] Dijsselbloem [antigo ministro das Finanças holandês]. Mas pelos vistos há países que insistem em irem mudando de nomes, mas mantendo pessoas com o mesmo perfil», afirmou o chefe do Governo português.
Reunião do Eurogrupo suspensa após maratona de 16 horas
A reunião do Eurogrupo foi suspensa esta madrugada após 16 horas de discussões sem consenso para um compromisso político sobre a resposta económica da Europa à crise provocada pela pandemia covid-19, sendo retomada na quinta-feira, foi hoje anunciado.
«Após 16 horas de discussões, chegámos perto de um acordo, mas ainda não estamos lá», pelo que «suspendi o Eurogrupo e [a discussão] continua amanhã, quinta-feira», informa através da rede social Twitter o presidente do fórum de ministros das Finanças da zona euro, o português Mário Centeno.
Antes da reunião de ontem, Centeno dizia esperar que os ministros das Finanças europeus chegassem a acordo sobre um pacote financeiro de emergência robusto para trabalhadores, empresas e países, e que se comprometam claramente com um plano de recuperação de grande envergadura. Contudo, o compromisso a que os ministros das Finanças estão «obrigados» a chegar está a revelar-se difícil de «fechar», pois o ponto mais controverso da resposta, o financiamento para os Estados-membros, que Centeno defende que deve ser garantido através de linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), por ser a opção mais prática e »consensual», continua a dividir os Estados-membros.
De um lado, vários países, encabeçados por Itália, defendem antes a emissão conjunta de dívida – os chamados eurobonds ou coronabonds – e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já reafirmou a sua oposição à solução em forma de empréstimos do fundo de resgate da zona euro. Do outro, um conjunto de países, com Holanda à cabeça, rejeita liminarmente a mutualização da dívida, e, mesmo em relação às linhas de crédito do MEE, quer impor condições.
Mais pacíficas serão as duas outras vertentes do pacote de emergência que o presidente do Eurogrupo espera «fechar» nesta reunião, para apresentar aos chefes de Estado e de Governo da UE: o programa de 100 mil milhões de euros proposto pela Comissão Europeia para financiar regimes de protecção de emprego e uma garantia de 200 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para apoiar as empresas em dificuldades, especialmente as pequenas e médias empresas.
Em pouco mais de um mês, esta é a quarta reunião por videoconferência dos ministros das Finanças europeus para tentar acordar uma resposta comum à crise do novo coronavírus, sendo que desta feita é-lhes «exigido» um compromisso, para ser apresentado aos líderes europeus.
*Notícia actualizada às 10:27 com novo título













