Por Vasco Antunes Pereira, Presidente do Conselho de Administração da Lusíadas Saúde
O sistema de saúde que serviu Portugal exemplarmente durante décadas enfrenta a sua maior prova de esforço, visível não só na pressão orçamental e nos desafios demográficos, mas também no desgaste dos seus excepcionais profissionais.
Perante este cenário, insistir em debates ideológicos do passado, que colocam o sector público e o privado em trincheiras opostas, é um luxo a que o País já não se pode dar. A sustentabilidade do nosso estado social depende da nossa capacidade de construir pontes.
A falsa dicotomia “SNS versus privados” ignora uma verdade fundamental: em Portugal, já operamos num ecossistema de saúde misto. O sector privado é um parceiro que contribui diariamente para a resiliência do sistema. Contribuímos com investimento em tecnologia que acelera a modernização e com a nossa capacidade de atrair, formar e reter talento clínico e de gestão, um capital humano que serve todo o País. Construir pontes entre as nossas instituições, para criar percursos de carreira mais atractivos e partilhar conhecimento, é fundamental para reter os melhores talentos em Portugal.
O desafio, portanto, não é escolher um lado, mas sim optimizar a colaboração. E para isso precisamos de evoluir o paradigma das parcerias. O futuro passa por desenhar Parcerias de Valor focadas em resolver problemas concretos. Estas são as pontes de que falo: pontes físicas, na gestão partilhada de unidades, mas também pontes digitais. Imagine-se plataformas tecnológicas integradas que garantam a continuidade de cuidados entre o hospital público, o centro de saúde e a clínica privada, criando um percurso mais simples e seguro para o doente. A tecnologia é o cimento que pode unir estas pontes, tornando o sistema verdadeiramente centrado no cidadão.
Este caminho exige coragem política e visão de Estado. Exige um pacto para a Saúde que defina com clareza o papel de cada agente e crie regras estáveis, essenciais para o investimento a longo prazo. Um pacto cujo único foco seja a obtenção de melhores resultados para o cidadão.
Como líderes do sector privado, estamos prontos para ser parceiros activos nesta construção. A saúde dos portugueses merece estas pontes de colaboração, de talento e de tecnologia. Merece o nosso compromisso colectivo.
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 235 de Outubro de 2025




