A organização que representa a indústria de genéricos na Europa acusou Portugal e Áustria de estarem a armazenar em excesso material médico e medicamentos usados nos casos mais graves de Covid-19.
A informação foi confirmada à “Reuters” pelo secretário-geral da Affordable Medicines Europe, Kasper Ernest, depois de emitido um comunicado da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em que é denunciado que vários hospitais da União Europeia (UE) estão a enfrentar escassez de medicamentos usados em doentes com o novo coronavírus.
«Alguns Estados-membros indicaram que começam a enfrentar rupturas de certos medicamentos usados em pacientes com Covid-19, ou esperam que essas rupturas comecem muito em breve», referiu a EMA num comunicado, divulgado ontem. Entre os hospitais mais afectados estão o San Rafaele, de Milão, e o Vall d’Hebron, de Barcelona.
A EMA aponta que «o número de medicamentos em falta tem aumentado nos últimos anos» e diz mesmo que a situação se «agravou com esta pandemia», entre outros motivos porque houve «um aumento de procura para tratar doentes com Covid-19, excesso de armazemamento em alguns hospitais, excesso de armazenamento individual, pelos cidadãos, mas também nacional, pelos Estados-membros».
Em falta estão, sobretudo, medicamentos usados em doentes com as complicações mais graves causadas pelo novo coronavírus, como anestésicos, antibióticos e relaxantes musculares, que permitem aos pacientes poder receber apoio respiratório com ventiladores.
Em meados de Março, recorde-se que o Infarmed alertou para a compra excessiva de medicamentos no mercado português. Na altura, recomendou restrições na dispensa de medicamentos às farmácias e locais de venda.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil. Dos casos de infecção, cerca de 250 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.
Portugal registou até hoje 311 mortes associadas à Covid-19 e 11.730 infectados, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.






