A variante do SARS-CoV-2 conhecida como XFG — ou “Stratus” em alguns meios — e apelidada de “variante Frankenstein” pela imprensa devido à natureza recombinante da sua composição, está a ganhar predominância em vários países. De acordo com a Euronews, a XFG foi classificada pela World Health Organization (OMS) como “Variante sob Monitorização” (VUM) a 23 de maio de 2025, tendo em pouco tempo representado 10 % ou mais dos casos registados.
A designação “Frankenstein” resulta da forma como esta variante foi construída — uma mistura de duas linhagens anteriores (LF.7 e LP.8.1.2) que deu origem à XFG.
Na Alemanha, por exemplo, o Robert Koch Institute (RKI) determinou que 71% das 49 amostras analisadas na semana de 22 a 28 de setembro eram da linhagem XFG.
Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), laboratório nacional que faz o acompanhamento dos vírus respiratórios, identificou no passado mês de maio em Portugal os primeiros casos da nova versão do vírus: a Stratus (ou XFG).
Transmissão, prevalência e avaliação de risco
De acordo com o relatório da OMS, a XFG apresentou uma rápida subida na proporção de sequências genéticas submetidas globalmente, passando de cerca de 7,4 % em maio para 22,7 % em junho de 2025, e circulando em 38 países.
Outros relatórios indicam que, embora a variante se esteja a propagar com maior frequência, a evidência até agora não aponta para que provoque doença mais grave do que outras variantes em circulação.
Sintomas e perceções
Segundo a Euronews, na comunicação social têm aparecido relatos de que a XFG estaria associada a um sintoma descrito como “garganta de lâmina de barbear” — uma dor de garganta extremamente intensa. No entanto, o instituto holandês RIVM comparou os sintomas da XFG com os de variantes anteriores e concluiu que não há diferenças significativas na frequência ou gravidade dos sintomas.
Em resumo, os sintomas típicos da Covid-19 — como dor de garganta, tosse, febre ou fadiga — continuam os mesmos e não permitem distinguir de forma fiável esta variante das demais.
O que isto significa para o público
Apesar do seu crescimento em prevalência, a XFG é considerada de risco baixo pela OMS à escala global.
As vacinas aprovadas continuam acreditadas como eficazes para prevenir doença grave ou hospitalização, e as terapias antivíricas mantêm-se como instrumentos de resposta.
A vigilância genómica e epidemiológica prossegue como elemento crucial para acompanhar a evolução desta e de outras variantes.
Apesar da circulação crescente, não há, nesta fase, motivo para alarme além da aplicação das medidas habituais de prevenção (vacinação, higiene, ventilação dos espaços). Os especialistas recomendam atenção, mas não pânico.









